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Política

Garotinho diz que não teria se candidatado se soubesse que estava inelégivel

O ex-governador também disse que o Rio deve arcar com sua responsabilidade após a eleição

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Anthony Garotinho (Republicanos)
Anthony Garotinho (Republicanos) CARLOS ELIAS JUNIOR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) publicou um vídeo nas redes sociais falando sobre a anulação de seus votos na eleição ao governo do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (8).

Na gravação, ele afirma que não teria se candidatado se soubesse que estava inelegível, e que a suspensão da candidatura foi inventada. Garotinho afirmou que foi vítima de uma manobra política.

Primeiro, a minha inelegibilidade para essa eleição foi criada. Esse processo, ao qual se referiram, é de 2005. Meus amigos, 2005. O que eles usaram das outras vezes, a Operação Chequinho, foi totalmente anulada. Portanto, eu estava totalmente livre e apto, pronto, para disputar a eleição.Anthony Garotinho

Para o ex-governador, a sua candidatura foi barrada no último momento apenas porque os adversários temiam seu crescimento, e que estaria denunciando tanto Eduardo Paes (PSD) como Douglas Ruas (PL) antes do pleito.

Em segundo lugar, eu estou há anos denunciando esses dois grupos aqui no Rio de Janeiro. O grupo de Eduardo Paes, envolvido com milícias, com corrupção, com práticas que não são boas para o povo e sim para uma elite que tem preconceito contra os mais pobresAnthony Garotinho

Ao analisar o resultado das urnas, Garotinho interpretou a alta taxa de abstenção e de votos brancos e nulos como um recado da população: “O candidato que ganhou a eleição fez menos votos do que a soma de votos nulos, brancos, abstenção e voto dado a outros candidatos”. Segundo ele, o eleitor do Rio de Janeiro “ficou, como eu dizia, entre o candidato da milícia e o candidato do Comando Vermelho” e “escolheu o ruim para não escolher o péssimo”.

Anulação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou nesta quinta-feira (8) a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho e anulou os votos recebidos por ele no primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro. O placar ficou em 5 a 2.

Com a retirada dos votos de Garotinho da totalização, Douglas Ruas (PL) deve ser considerado eleito governador em primeiro turno. A decisão ainda precisa ser comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), responsável por fazer a retotalização dos votos.

Atualmente, Ruas e Eduardo Paes (PSD) estão classificados para o segundo turno, previsto para 25 de outubro. Ruas liderou a votação com 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho obteve 274.411 votos, correspondentes a 3,17%.

Sem os votos de Garotinho, Ruas passa para aproximadamente 50,9% dos votos válidos, porcentual suficiente para vencer a disputa pelo governo do Rio no primeiro turno.

Os ministros também rejeitaram o pedido de Garotinho para desistir do recurso que questionava a decisão que havia negado sua candidatura.

Garotinho formalizou a desistência do recurso no dia 5 de outubro, um dia após o primeiro turno. No pedido encaminhado à Corte, afirmou abrir mão do processo de forma “livre, expressa, consciente e irretratável” e solicitou que o TSE reconhecesse a decisão.

O relator, Floriano de Azevedo, foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Estela Aranha e Dias Toffoli.

“Em qualquer das linhas de interpretação, o candidato está, é fato, com os direitos políticos suspensos para concorrer no pleito”, disse Floriano. “Basta considerar que o candidato a governador impugnado está, diante do trânsito em julgado da ação de improbidade, inequivocamente impossibilitado de ir para a disputa do pleito em questão”.

Toffoli ressaltou que o TSE não poderia considerar os votos válidos porque Garotinho não tinha condições de concorrer. “Para mim, esses votos são inexistentes. Aquele candidato não tinha condição de elegibilidade, não tinha direitos políticos”, afirmou.

Para Mendonça, a solução adotada impede que os votos anulados influenciam a aferição da maioria absoluta e “assegura que a proclamação do resultado decorre da vontade popular validamente manifestada, sem impor a realização de segundo turno quando, após a retotalização legalmente exigida, já se encontra preenchido o requisito constitucional para a eleição em primeira votação”.

Os ministros Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior apresentaram posições divergentes e defenderam a manutenção dos votos recebidos por Garotinho. Com esse entendimento, eles também se posicionaram pela realização de um segundo turno no estado.

Recurso de Paes

A coligação “Juntos Para Mudar, Coragem para Reconstruir”, da qual Eduardo Paes (PSD) faz parte, publicou uma nota nesta quinta-feira (8) afirmando que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno das eleições de 2026.

O texto diz que a coligação entrará com um pedido de medida cautelar para garantir a realização de segundo turno no Rio de Janeiro

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