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Wanderley Nogueira

África vira o pelotão de frente de Infantino na Fifa

O recado foi direto: o continente está com ele 'por tudo o que faz pelo futebol africano'

Wanderley Nogueira

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso NORBERTO DUARTE / AFP

A África virou o pelotão de frente de Gianni Infantino no tabuleiro político da Fifa. Enquanto a Europa tentava abrir uma frente de contestação em Berlim, as 54 federações africanas fecharam fileira em Cabo Verde e entregaram ao presidente da entidade o que ele mais precisa neste momento: apoio unânime, público e incondicional à reeleição.

O gesto não foi discreto. Na Conferência Estratégica da Confederação Africana de Futebol, na ilha do Sal, Patrice Motsepe anunciou a posição com Infantino na sala.

O recado foi direto: o continente está com ele “por tudo o que faz pelo futebol africano”. Em uma eleição de Fifa, em que cada associação nacional vale um voto, 54 apoios alinhados não são apenas solidariedade. São um bloco.

Do outro lado do mapa, a Uefa fez o movimento contrário. Em Berlim, com a exceção do Azerbaijão, as federações europeias aprovaram um manifesto de reformas e disseram ter perdido a confiança na liderança atual.

O texto pede separação de poderes, mais peso para o Bureau (formado pelo presidente da Fifa e pelos presidentes das confederações), proteção dos recursos de desenvolvimento e a ideia de que uma reforma institucional, sozinha, não resolve o problema.

Aleksander Ceferin, no mesmo encontro, confirmou que disputará um último mandato à frente da Uefa em abril de 2027.O contraste ajuda a explicar por que a África ocupa agora a linha de frente.

A Europa fala em governança, supervisão e limites ao poder presidencial. A CAF responde com adesão política explícita, no momento em que o debate sobre o futuro de Infantino deixa de ser rumor e vira disputa aberta.

Motsepe não condicionou o apoio a uma lista de reformas. Transformou o trabalho feito no continente em argumento eleitoral.Isso muda o peso relativo dos blocos.

A Uefa continua sendo a confederação mais rica e a que organiza o futebol de clubes mais visível do planeta, mas não fala sozinha no Congresso da Fifa.

A África, com 54 votos e uma posição fechada, passa a funcionar como base de sustentação visível — o pelotão que marcha na frente enquanto outras regiões ainda calculam o custo de se alinhar ou de se afastar.

O manifesto europeu deixa claro o que está em jogo para além do nome do presidente: calendário internacional, competições da Fifa, uso das reservas e a regra de que nenhum recurso da entidade sirva a interesses pessoais ou eleitorais.

São pontos que, se avançarem, reduzem a margem de manobra de quem ocupa o cargo. O apoio africano, ao contrário, reforça a continuidade.

Infantino, portanto, não entra nesta fase apenas como alvo de um documento de reformas. Entra com um continente inteiro declarado ao seu lado, em evento próprio, com o presidente da CAF fazendo o anúncio.

No campo político da Fifa, a África deixou de ser plateia. Virou a primeira linha de defesa.

Até a próxima.

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