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Ex-sócio do Master sugeriu presentear Wagner, Rui Costa, Jerônimo e ACM com vinhos

O relatório e outros documentos relativos à investigação sobre a relação de Jaques Wagner com o Banco Master foram tornados públicos na noite desta quinta-feira, 30, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça

Estadão Conteúdo

Augusto Ferreira Lima em sessão na Assembleia Legislativa da Bahia
Augusto Ferreira Lima em sessão na Assembleia Legislativa da Bahia - Vaner Casaes /ALBA Vaner Casaes / ALBA

A Polícia Federal (PF) encontrou uma lista de “lembranças de fim de ano” em conversas que estavam no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. No material, uma secretária de Lima sugeriu dar garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil a seis políticos, a maioria deles da Bahia.

Estão na lista o senador Jaques Wagner (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), que é candidato a governador da Bahia.

O Estadão procurou os citados por meio de mensagens, e-mails institucionais ou das respectivas assessorias de imprensa. O único a retornar até o momento foi Rueda. “Garrafas? Não recebi”, respondeu ele. O espaço para manifestações segue aberto.

“Chefe, só para lembrar ao sr da escolha para as lembranças de final de ano”, escreveu a secretária de Augusto de Lima ao banqueiro em 17 de dezembro de 2024.

Ela sugere, então, presentear os citados com garrafas de vinho, que vão de R$ 2,5 mil até R$ 5,3 mil. Lima responde que falariam depois.

“Embora os valores envolvidos sejam relativamente modestos quando comparados às cifras relacionadas às fraudes já descortinadas no âmbito desta Operação da Polícia Federal, é certo que tais condutas podem caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública, uma vez que todos os destinatários elencados ocupam ou ocuparam caros relevantes na esfera política do Estado da Bahia”, escreveu a Polícia Federal

O relatório e outros documentos relativos à investigação sobre a relação de Jaques Wagner com o Banco Master foram tornados públicos na noite desta quinta-feira, 30, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Segundo a PF, embora Augusto Lima não tenha confirmado qual lembrança foi escolhida, há evidências que os vinhos foram enviados aos destinatários.

No dia 23 de dezembro, a secretária enviou foto de garrafas de vinho embaladas para presente. Nas etiquetas, é possível ler cartões escritos “De: Guga (Augusto Lima) Para: Jaques”, e também para o publicitário Guilherme Sodré Martins, o Tio Guiga, apontado pela PF como uma pessoa próxima e de confiança do senador. O Estadão não conseguiu contato com Martins.

A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.