Ex-sócio do Master sugeriu presentear Wagner, Rui Costa, Jerônimo e ACM com vinhos
A Polícia Federal (PF) encontrou uma lista de “lembranças de fim de ano” em conversas que estavam no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. No material, uma secretária de Lima sugeriu dar garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil a seis políticos, a maioria deles da Bahia.
Estão na lista o senador Jaques Wagner (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), que é candidato a governador da Bahia.
O Estadão procurou os citados por meio de mensagens, e-mails institucionais ou das respectivas assessorias de imprensa. O único a retornar até o momento foi Rueda. “Garrafas? Não recebi”, respondeu ele. O espaço para manifestações segue aberto.
“Chefe, só para lembrar ao sr da escolha para as lembranças de final de ano”, escreveu a secretária de Augusto de Lima ao banqueiro em 17 de dezembro de 2024.
Ela sugere, então, presentear os citados com garrafas de vinho, que vão de R$ 2,5 mil até R$ 5,3 mil. Lima responde que falariam depois.
“Embora os valores envolvidos sejam relativamente modestos quando comparados às cifras relacionadas às fraudes já descortinadas no âmbito desta Operação da Polícia Federal, é certo que tais condutas podem caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública, uma vez que todos os destinatários elencados ocupam ou ocuparam caros relevantes na esfera política do Estado da Bahia”, escreveu a Polícia Federal
O relatório e outros documentos relativos à investigação sobre a relação de Jaques Wagner com o Banco Master foram tornados públicos na noite desta quinta-feira, 30, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Segundo a PF, embora Augusto Lima não tenha confirmado qual lembrança foi escolhida, há evidências que os vinhos foram enviados aos destinatários.
No dia 23 de dezembro, a secretária enviou foto de garrafas de vinho embaladas para presente. Nas etiquetas, é possível ler cartões escritos “De: Guga (Augusto Lima) Para: Jaques”, e também para o publicitário Guilherme Sodré Martins, o Tio Guiga, apontado pela PF como uma pessoa próxima e de confiança do senador. O Estadão não conseguiu contato com Martins.
A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.