JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Isso Não é Um Talk Show | 22h30 - 23h30
Mundo

Dominância dos EUA na América Latina e no Caribe nunca mais será questionada, diz governo Trump

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou vídeo com ações norte-americanas na região ao longo da história

Jovem Pan

Donald Trump
Trump é apresentado como o 'mais recente defensor' da Doutrina Monroe EFE/EPA/WILL OLIVER

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (11) um vídeo por meio das redes sociais no qual afirma que a “dominância” na América Latina e no Caribe “nunca mais será questionada”. Na gravação, o órgão citou ações norte-americanas ao longo da história na região.

O vídeo é narrado pelo embaixador dos Estados Unidos no Panamá, Kevin Marino Cabrera. O chanceler iniciou a gravação falando sobre o ano de 1893, quando, segundo ele, “o mapa das Américas estava sendo redesenhado”.

“A Espanha passou séculos acumulando um império no Novo Mundo que se estendia da Patagônia à Califórnia. Agora, seu domínio estava escapando rapidamente. Uma a uma, as colônias espanholas declaravam independência”, disse Cabrera.

O embaixador relatou que os “velhos impérios não viam com bons olhos” o processo de independência de suas colônias nas Américas. Cabrera afirmou que, diante desse cenário, os Estados Unidos “vislumbravam uma oportunidade de estabelecer uma nova ordem” no continente.

Segundo o chanceler, a desconfiança das “intenções britânicas” protecionistas nas Américas resultou na criação da Doutrina Monroe, em 1823, pelo ex-presidente dos Estados Unidos James Monroe (1758–1831).

Cabrera afirmou que a medida “preparou terreno para séculos de política externa norte-americana” no continente americano.

“A doutrina serviu como um escudo defensivo enquanto os Estados Unidos se expandiam ao oeste. Foi invocada quando os franceses instalaram um imperador no México, forçando sua eventual retirada. Moldou debates sobre tentativas de anexação, como da República Dominicana. Mas, essas eram aplicações defensivas: manter as potências europeias afastadas, e não afirmar o controle norte-americano”, contou.

O embaixador disse que a doutrina foi “redefinida” em 1895. De acordo com Cabrera, o ex-secretário de Estado Richard Olney (1835–1917) invocou a medida e declarou que os “Estados Unidos eram praticamente soberanos” na região e exigiu que o Reino Unido “se submetesse à arbitragem norte-americana”.

A partir da “redefinição” da medida, conforme Cabrera, os Estados Unidos “expulsaram a Espanha de Cuba, tomaram Porto Rico e emergiram no cenário mundial como uma verdadeira potência imperial, exercendo domínio sobre o Caribe”.

O embaixador fez referência ao Corolário Roosevelt, adição feita à Doutrina Monroe pelo ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt (1858–1919) para justificar intervenções na América Latina e no Caribe.

O chanceler afirmou que uma “oportunidade crucial para a liderança norte-americana” surgiu em 1903 com a independência do Panamá da Colômbia. Cabrera contou que o apoio dos Estados Unidos ao movimento panamenho garantiu a Washington acordo para “construir, operar e defender o Canal do Panamá”.

O embaixador mencionou a crise dos mísseis de 1962, quando a antiga União Soviética instalou armamentos em Cuba. De acordo com o chanceler, o ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy (1917–1963) invocou a Doutrina Monroe para lidar com o “impasse mais perigoso da humanidade”.

Cabrera citou também o uso da doutrina pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan (1911–2004) para implementar, nos anos 1980, política intervencionista na Nicarágua. O republicano buscava impedir a consolidação da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) no poder do país.

Após mencionar os “grandes defensores” da Doutrina Monroe, o embaixador afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o seu “mais recente” apoiador.

“Por meio da Operação ‘Absolute Resolve’, os Estados Unidos capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e o levaram para solo americano para responder a acusações de narcoterrorismo. Essa manobra calculada enviou um sinal contundente a toda a região”, afirmou Cabrera.

O embaixador reforçou uma declaração anterior de Trump: “sob nossa nova Estratégia de Segurança Nacional, o domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente”.

A política, apresentada pelo governo norte-americano em dezembro de 2025, resgata a Doutrina Monroe para justificar a presença militar dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe.

Cabrera terminou o vídeo afirmando que a doutrina “moldou a política externa dos Estados Unidos” e permanece como a “peça-chave da estratégia norte-americana” na região.