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Política

Caso Master: como Mendonça reagiu ao assumir a relatoria após saída de Toffoli

Mendonça deve adotar uma postura discreta, como tem atuado nas investigações sobre supostas fraudes no INSS

Pedro Vilas Boas

André Mendonça
Almoço Empresarial LIDE com André Mendonça LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu com serenidade a notícia de que assumiria a relatoria das investigações sobre o Banco Master, disse à Jovem Pan pessoas próximas ao magistrado.

Mendonça deve adotar uma postura discreta, como tem atuado nas investigações sobre supostas fraudes no INSS.

Ministro aguarda conclusão da reunião desta sexta-feira (13) com a Polícia Federal (PF) para levar em consideração pedidos apresentados por parlamentares para ter acesso a materiais do Caso Master. Mais cedo, o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que pedirá o acesso a documentos da investigação.

André Mendonça irá participar da reunião com a PF por vídeo, já que está em São Paulo. A Jovem Pan apurou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, estará no encontro.

Novo relator 

Ontem, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma reunião com os ministros para tratar sobre o relatório da PF, que cita uma perícia feita no celular de Vorcaro. No documento, a corporação informou ter encontrado menções a Toffoli e pediu a arguição de suspeição do ministro. Ou seja, que ele fosse declarado “suspeito” para atuar no processo.

Jovem Pan apurou que Toffoli argumentou aos colegas que não via motivos para deixar a relatoria do caso, mas se viu isolado e acabou cedendo. A avaliação dos integrantes da Corte é de que a atuação do magistrado no processo do Banco Master causou um desgaste desnecessário ao Supremo.

Após a reunião, por meio de nota, os 10 ministros do STF declararam que as acusações não eram “caso de cabimento para a arguição de suspeição” e reconheceram a validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição financeira passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.