Deputados entregam petição ao STF pela manutenção da prisão após 2ª instância
Após um grupo formado por mais de 40 senadores, 87 deputados assinaram uma petição pela manutenção da prisão após condenação em segunda instância. O documento deve ser entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, ainda nesta quarta-feira (6), de acordo com o deputado Capitão Augusto (PL-SP), que lidera o grupo de parlamentares.
A Corte retoma o julgamento nesta quinta (7), após a suspensão da sessão do dia 24 de outubro. O placar parcial está em em 4 votos favoráveis a 3 contrários. Votaram a favor da prisão após condenação em 2ª instância os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. Foram contra Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski.
Ainda falta voltar os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Carmen Lúcia e Dias Toffoli, presidente do Supremo. Caso a Corte adote o entendimento pelo fim da prisão após segunda instância, cerca de 4,9 mil presos seriam beneficiados com a medida, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por ser o último a declarar seu voto, Toffoli pode ter de desempatar o placar.
O grupo dos deputados, liderado pelo Capitão Augusto, relator do pacote Anticrime do ministro Sergio Moro e presidente da Comissão de Segurança Pública, alega que, no ano passado, os deputados já haviam protocolado carta de apoio à manutenção da prisão após segunda instância e que, na ocasião, haviam aderido “ao clamor de milhões de brasileiros para que fosse mantido, sem exceções, o justo entendimento jurisprudencial firmado no sentido de que não viola a Constituição Federal o início do cumprimento da sanção penal a partir da decisão condenatória de segunda instância”.
Na avaliação do Capitão Augusto, o número é “infelizmente pequeno” diante dos 513 deputados da Casa. Na petição, os parlamentares alegam ainda que “em tão curto espaço de tempo, a população é surpreendida com novo julgamento para se tentar rever o tema, sem nenhum fato jurídico relevante que justifique a provocação”.
A sessão passada começou com o aguardado voto da ministra Rosa Weber, que já havia se posicionado de maneiras diferentes em outras ocasiões em que o STF analisou o tema. A ministra, no entanto, votou pelo fim da prisão após condenação em segunda instância.
A petição também relembra um entendimento do ministro Teori Zavascki que declarava que após a pronuncia da sentença e o julgamento de recurso de apelação “encontra-se finalizada a discussão acerca dos fatos” tornando-se cabível a execução da pena. Na carta, assinada pelo Capitão Augusto, os deputados declaram que se posicionam “veementemente contra a revisão desse importante entendimento jurisprudencial, que foi um importantíssimo passo no nosso país contra a impunidade”.