Filhos de Flordelis são condenados à prisão pelo assassinato do pastor Anderson
O Tribunal do Júri de Niterói condenou à prisão dois filhos da ex-deputada federal Flordelis na manhã desta quarta-feira, 24. Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da ex-parlamentar, vai cumprir 33 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma, uso de documento falso e associação criminosa. A pena inicialmente deverá ser cumprida em regime fechado. Flávio foi denunciado como autor dos disparos que provocaram a morte do pastor Anderson do Carmo de Souza, marido da ex-parlamentar, no dia 16 de junho de 2019. Já o filho adotivo da ex-parlamentar, Lucas Cezar dos Santos de Souza, foi condenado na mesma sessão de julgamento por homicídio triplamente qualificado a sete anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado. Ele foi acusado de ter conseguido a arma usada no assassinato do pastor. O júri, presidido pela juíza titular da 3ª Vara Criminal de Niterói, Nearis dos Santos de Carvalho Arce, durou mais de 15 horas, tendo início no começo da tarde da última terça-feira, 23, e chegando ao final somente por volta das 5h30 desta quarta.
Oito testemunhas foram ouvidas. A primeira foi a delegada Bárbara Bueno. Segundo ela, a investigação apontou que, antes das eleições da ex-deputada, já havia tentativas de assassinar o pastor por envenenamento. “Ele passou por diversos atendimentos médicos e chegou a ser internado no hospital. Aqueles que estão ligados a esse homicídio são os familiares mais próximos à Flordelis. São pessoas muito vulneráveis, que tinham relação de dependência em relação a ela e desentendimentos com a vítima”, pontuou. O delegado Alan Duarte também foi ouvido e afirmou que o caso trata-se de uma ‘organização criminal familiar’. “Flordelis manipulou, mentiu e ocultou provas. Havia um racha na família, com diferença de tratamento entre filhos biológicos e adotivos. O pastor comandava a família de forma rígida e geria a parte financeira, o que gerava descontentamento nos ligados à Flordelis”, explicou. Além deles, foram ouvidos ainda filhos adotivos e pessoas ligadas a eles. Wagner Pimenta, o Misael, adotado aos 12 anos e que morou por mais de 30 anos na casa da família, disse que, após a morte do pastor, Flordelis teria escrito em um caderno que havia quebrado o celular dele e jogado da Ponte Rio-Niterói. A ex-deputada desconfiava que havia escuta policial na casa e por isso se comunicou por escrita.
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