Juíza que ganhou R$ 128 mil em um mês diz que teve fala sobre penduricalhos ‘distorcida’
Representante dos magistrados do Trabalho e defensora dos chamados penduricalhos na magistratura, a juíza Cláudia Márcia de Carvalho Soares afirmou que houve “distorção de conteúdo” de sua fala em sessão Plenária no Supremo Tribunal Federal, na quarta, 25, quando declarou que “o juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, o carro financiado, não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café”.
Em um único mês, dezembro passado, ela recebeu R$ 128.218,12. Em nota divulgada nesta sexta, 27, Cláudia Márcia afirma: “O montante reuniu parcelas de naturezas distintas, salário regular, décimo terceiro e passivos administrativos acumulados ao longo de décadas e pagos de forma parcelada, sempre com autorização do Conselho Superior da Justiça do Trabalho”.
Segundo ela, ‘a soma excepcional foi convertida em parâmetro habitual, o que não corresponde à realidade’.
A manifestação de Cláudia Márcia no STF ganhou enorme repercussão. Nas redes, ela é alvo de críticas, ironias e memes. Na sessão do Supremo, que julga supersalários no funcionalismo, seis advogados fizeram uma defesa enfática de holerites que ultrapassam o teto constitucional, sobretudo no Judiciário. As sustentações foram apresentadas após a Corte levar ao plenário o julgamento da liminar do ministro Flávio Dino, que, segundo ele, pode pôr fim ao “Império dos Penduricalhos”.
Para a juíza aposentada, os exemplos sobre a necessidade dos magistrados de primeiro grau pagarem ‘tudo do bolso’ tiveram “finalidade exclusivamente didática”. “Ao circularem de forma isolada, fora do encadeamento argumentativo, produziram uma leitura que desloca o debate institucional para o campo individual”, afirmou.
Para Cláudia, “o mesmo ocorreu com a divulgação de valores recebidos em um mês específico, apresentados como se correspondessem à remuneração ordinária”.
A magistrada recebeu R$ 128.218,12 de rendimento líquido, em dezembro de 2025, porque, além do salário de R$ 42.749,56, acumulou R$ 46.366,19 em indenizações e R$ 39.102,37 em direitos eventuais.
Para a juíza do Trabalho, “os últimos tempos não foram de tanta glória, mas de preocupação para a magistratura“, segundo disse no Plenário do Supremo. “Os juízes não têm segurança jurídica. Um mês não sabe o que vai receber, outro mês não sabe se vai ‘cair’, vem uma liminar, vem outra”, arrematou na quarta-feira.
“Minha manifestação teve caráter estritamente técnico e associativo. Defendi que os graus da magistratura responsáveis pela maior carga processual do país e pelo contato direto com os conflitos sociais sejam considerados dentro de uma lógica estrutural coerente.”
Em defesa de seus proventos, Cláudia afirmou que “o montante reuniu parcelas de naturezas distintas, salário regular, décimo terceiro e passivos administrativos acumulados ao longo de décadas e pagos de forma parcelada, sempre com autorização do Conselho Superior da Justiça do Trabalho”.
Ela ainda enfatizou que “magistrados de primeiro e segundo graus exercem suas funções sob condições institucionais distintas daquelas existentes nas cortes superiores”.
“Trata-se de uma realidade administrativa objetiva, que precisa ser considerada em qualquer modelagem remuneratória séria. Não se discutiam benefícios pessoais, mas coerência sistêmica.”
*com informações do Estadão Conteúdo
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