Toffoli diz que prefere chamar golpe militar de 1964 de ‘movimento’
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, disse nesta segunda-feira (1º) que prefere usar o termo “movimento” para se referir ao golpe militar de 1964. Segundo o ministro, a terminologia foi aprendida com o ministro da Justiça, Torquato Jardim.
“Depois de aprender com o atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, eu não me refiro nem mais a golpe, nem a revolução de 1964. Eu me refiro a movimento de 1964”, afirmou, em palestra na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
“Os militares foram um instrumento de intervenção. Se algum erro cometeram foi de, ao invés de serem o [poder] moderador, que, em outros momentos da história, interveio e saiu, eles acabaram optando por ficar, e o desgaste de toda a legitimidade desse período acabou recaindo sobre essa importante instituição nacional que são as Forças Armadas, também responsáveis pela nossa unidade nacional”, acrescentou.
Na palestra, Toffoli falou também sobre os partidos brasileiros. De acordo com o ministro, falta estrutura ideológica nos partidos nacionais e posicionamento político das legendas. “A ausência de ideologias claras nos partidos é patente. Mesmo partidos que no passado tinham alguma consistência ideológica, hoje se mostram completamente órfãos de qualquer tipo de posicionamento do ponto de vista político, filosófico, institucional.”
O presidente do Supremo disse ainda que, até o momento, não viu nenhum programa ou projeto nacional, mesmo a uma semana das eleições, e que isso trará consequências negativas para o Congresso Nacional. “Não existem projetos políticos nacionais. Eles nascem todos a partir dos interesses locais. E isso traz consequências, evidentemente, para o Congresso Nacional.”
“Em razão de não haver um projeto político nacional, com uma filosofia, ideologia e projeto de construção de nação, acabam prevalecendo, no Parlamento, as bancadas segmentadas de interesses específicos”, acrescentou.
No fim da tarde, Tofolli participou, também na capital paulista, de um seminário no Tribunal de Justiça de São Paulo sobre os 30 anos da Constituição de 1988.
Assuntos
continue lendo
Política
Nunes Marques dá 10 dias para PGR se manifestar sobre pena de Bolsonaro
No dia 7 de outubro, a assessoria do ministro informou que ele analisaria o caso após o segundo turno das eleições
- Anatel exigirá reconhecimento facial para ativar ou manter linhas de celular Estadão Conteúdo · há 2 horas
- PF faz operação contra grupo que pretendia lucrar R$ 10 bilhões em fraude no MA Estadão Conteúdo · há 9 horas
- Um ano após megaoperação com 122 mortos, 33 alvos seguem foragidos no RJ Jovem Pan · há 14 horas
- Temporais avançam pelo Brasil e chuva deve se intensificar no Sul e Sudeste Jovem Pan · há 15 horas