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Beatriz Manfredini

Aliados comemoram calma e postura de Flávio em entrevista, mas apontam deslizes

Resultado da entrevista desta sexta-feira (29), segundo pessoas próximas, ficou acima das expectativas internas

Beatriz Manfredini

O senador e candidato presidencial de direita do Brasil, Flávio Bolsonaro, e seu candidato a vice, o deputado Alfredo Gaspar, acenam durante um comício na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 2026
O senador e candidato presidencial de direita do Brasil, Flávio Bolsonaro, e seu candidato a vice, o deputado Alfredo Gaspar, acenam durante um comício na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 2026 MAURO PIMENTEL / AFP

AAliados do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), avaliaram positivamente, nos bastidores, a participação dele no Jornal Nacional, da TV Globo. O resultado da entrevista desta sexta-feira (29), segundo pessoas próximas, ficou acima das expectativas internas. Pessoas próximas afirmam que o clima era de apreensão antes da conversa.

Havia receio de que Flávio demonstrasse nervosismo diante das perguntas ou reagisse de forma mais exaltada em momentos de pressão. A avaliação, porém, foi de que o senador manteve uma postura “calma, tranquila e sem rompantes” durante a entrevista.

Para integrantes da campanha ouvidos pela coluna, o principal ganho foi justamente evitar uma comparação direta com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde que anunciou a candidatura, Flávio passou a se apresentar como um Bolsonaro “moderado”, estratégia que também tem orientado a preparação para as aparições públicas.

A leitura interna é de que o eleitorado bolsonarista já está consolidado e que, portanto, a campanha precisa buscar quem ainda não decidiu o voto ou não se identifica diretamente com o grupo. As referências simbólicas ao pai continuam presentes na estratégia, mas o comportamento de Flávio precisa, segundo aliados, alcançar outros públicos.

A postura adotada no Jornal Nacional foi tratada como parte desse movimento. Flávio também aproveitou a entrevista para fazer um aceno à apresentadora Renata Vasconcellos, depois de uma crítica feita pelo presidente Lula (PT) a uma pergunta da jornalista na noite anterior. A avaliação é que o senador busca melhorar a relação com a imprensa e, ao mesmo tempo, ampliar a interlocução com o eleitorado feminino – ele já tem feito acenos relacionados à outras áreas, como vacinação.

Apesar disso, aliados identificaram alguns deslizes. Um deles ocorreu na resposta sobre mudanças climáticas. Questionado sobre aquecimento global, Flávio citou eventos climáticos extremos sem relacioná-los às ações humanas. Na avaliação de integrantes da campanha, a resposta pode ter apenas “pregado para convertido” e agradado principalmente quem já está alinhado com o candidato, sem ajudar na conquista de novos eleitores, especialmente por esse ser um assunto visto como relevante.

Outro momento considerado difícil já era esperado pela equipe: as perguntas sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro. Flávio havia sido treinado intensamente para responder ao tema e, segundo pessoas próximas, conseguiu seguir as respostas preparadas.

A avaliação, no entanto, é que o episódio não trouxe necessariamente novos votos. O senador não se comprometeu a divulgar o contrato do filme, o que, na leitura de um auxiliar, limitou o potencial de ampliar sua base. “Quem acredita nele, já acreditava. Quem não, não mudou. Acho que não conquistou votos ali”, resumiu.

No balanço geral, a participação foi considerada positiva pela campanha. A entrevista era vista como um momento de risco, principalmente pela possibilidade de Flávio perder a postura planejada diante de questionamentos mais duros. Ao final, a avaliação interna foi de que ele cumpriu o combinado e passou pelo Jornal Nacional “sem grandes sustos”.

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