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Beatriz Manfredini

As apostas da campanha de Flávio Bolsonaro para reverter jogo com Lula

Interlocutores atribuem avanço nos levantamentos internos à crise com Michelle Bolsonaro; equipe também acompanha cenário em São Paulo e Minas Gerais

Beatriz Manfredini

Senador Flávio Bolsonaro e presidente Lula
Senador Flávio Bolsonaro e presidente Lula Carlos Moura/Agência Senado/Ueslei Marcelino/COP30

A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta em mudanças no cenário eleitoral e avalia que as próximas semanas podem favorecer o crescimento do pré-candidato na disputa pela Presidência da República. A expectativa é de aumento de dois pontos nas pesquisas.

Segundo interlocutores, trackings internos registraram esse aumento de dois pontos percentuais nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro. Na avaliação de integrantes da campanha, a mudança é resultado de dois fatores principais: a crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o envolvimento do então líder do PT no Senado, Jaques Wagner (PT), no caso Master.

Internamente, a leitura é que o desgaste provocado pela divergência com Michelle acabou concentrado na ex-primeira-dama. Aliados de Flávio avaliam que ela passou a ser vista como uma figura mais ambiciosa e que a exposição pública da disputa desagradou boa parte da base bolsonarista, que esperava maior unidade em um momento considerado importante para a campanha. Recentemente, Flávio se envolveu em diversas crises, com a divulgação de áudios com Daniel Vorcaro e a possibilidade de novas tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump após a viagem do senador aos Estados Unidos.

Apesar da melhora apontada pelos levantamentos internos, a expectativa da equipe está voltada para o calendário eleitoral. Nos bastidores, a pré-campanha espera mudanças no cenário após 4 de julho, quando passam a valer restrições impostas pela legislação eleitoral.

A avaliação é que, a partir dessa data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá reduzir o ritmo de agendas públicas e de propagandas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impede candidatos que ocupam cargos públicos de participarem de inaugurações de obras e serviços, além de restringir a publicidade institucional e conteúdos oficiais que possam caracterizar promoção pessoal.

Outro fator acompanhado pela equipe de Flávio é o cenário nos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, aliados comemoraram a desistência de outros candidatos ao governo estadual. A avaliação é que, com a tendência de uma disputa concentrada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), aumentam as chances de definição da eleição em primeiro turno. Segundo auxiliares, esse cenário pode beneficiar Flávio Bolsonaro. A leitura é que, sem um segundo turno em São Paulo, Tarcísio teria maior disponibilidade para participar da campanha presidencial. Além disso, aliados lembram que o PT ficaria sem espaço de palanque no maior colégio eleitoral do país.

O mesmo acompanhamento é feito em Minas Gerais. Integrantes da pré-campanha do senador avaliam que o PL possui mais de uma alternativa para a disputa estadual, enquanto o PT ainda busca consolidar um nome para a eleição no estado.

Apesar do otimismo de pessoas próximas, como mostrou a coluna, a pré-campanha de Flávio ainda tem encontrado resistências ao fechar alianças.