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Beatriz Manfredini

Boato sobre Nossa Senhora preocupa campanha de Flávio, que prepara ofensiva para conter impacto

Equipe do senador vê risco de desgaste entre católicos a nove dias do primeiro turno e escala aliada com trânsito no eleitorado religioso para rebater narrativa nas redes

Beatriz Manfredini

Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) Reprodução / Redes Sociais

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma ofensiva para tentar conter os efeitos da notícia falsa de que o candidato à Presidência pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A equipe avalia que a narrativa ganhou força nas redes sociais e pode provocar desgaste entre eleitores católicos a apenas nove dias do primeiro turno.

Segundo a coluna apurou, o episódio acendeu um alerta entre os aliados de Flávio principalmente pelo potencial de disseminação nas redes. A avaliação interna é que o alcance da publicação foi alto e que, agora, a prioridade é reduzir os efeitos da informação falsa. “Agora é trabalhar pesado e correr para conter os estragos”, resumiu um aliado.

Além da artilharia jurídica contra a disseminação da notícia, a estratégia deve concentrar esforços na própria internet. A campanha pretende usar nomes com capacidade de alcançar diferentes públicos para reforçar que a informação é falsa e tentar interromper a circulação da narrativa.

Uma das pessoas escaladas é a deputada federal Simone Marquetto (PP). A parlamentar, que chegou a ser cotada para ocupar a vice de Flávio, tem trânsito junto ao eleitorado católico. Nesta sexta-feira (25), durante a passagem do senador pelo rodeio de Jaguariúna, no interior de São Paulo, os dois gravaram um vídeo que deve ser utilizado justamente para alcançar esse público e rebater a informação.

Outros aliados considerados capazes de gerar repercussão também devem participar da movimentação. Por enquanto, porém, não está prevista uma ação mais ostensiva do próprio Flávio, como uma visita a igrejas ou aparições específicas com imagens de Nossa Senhora Aparecida.

A campanha também avalia transformar o episódio em um ataque político ao adversário. Pessoas próximas ao senador defendem que a narrativa pode ser associada à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tentativa de atribuir aos petistas a imagem de disseminadores de informações falsas. A estratégia parte da avaliação de que, se a mentira for desconstruída, o episódio pode acabar reforçando no eleitorado a associação do adversário à disseminação de fake news, como ocorreu com Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.

O impacto da notícia falsa já foi identificado em levantamentos sobre o comportamento das redes. Segundo a Palver, empresa de tecnologia e inteligência, cerca de 37% das mensagens analisadas trataram a narrativa como verdadeira. De acordo com a empresa, o conteúdo provocou mobilização entre católicos e pedidos de voto contra Flávio.

Ainda segundo a Palver, o pico ocorreu nesta sexta-feira (25), quando foram registradas 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes sociais. Nos serviços de mensagens, foram 15 menções a cada 100 mil.

O episódio também provocou reação entre aliados de Lula. A primeira-dama Janja publicou uma fotografia do presidente segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), por sua vez, publicou um vídeo afirmando que ele e Lula protegem as religiões e que o país é capaz de “conservar pacificamente as tradições católicas”.

A avaliação da equipe de Flávio é que a resposta precisa ser rápida justamente pela proximidade do primeiro turno. A aposta é que a combinação entre a atuação jurídica, a mobilização de aliados e a amplificação nas redes consiga conter a repercussão antes que a narrativa se consolide entre o eleitorado.

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