‘Nós contra eles’: Com Gaspar e Duda Lima, Flávio intensifica estratégia contra Lula
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) já começou uma mudança no tom da comunicação para as próximas semanas. A estratégia é ampliar o discurso de polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforçar a narrativa do “nós contra eles” e retomar o antipetismo na disputa pelo Palácio do Planalto.
A mudança ocorre após a chegada do marqueteiro Duda Lima ao comando da comunicação da campanha e a definição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente. A avaliação interna é de que Flávio precisa direcionar mais os ataques ao adversário e ampliar as comparações entre os dois projetos de governo.
Segundo interlocutores, até agora, a campanha passou boa parte do tempo respondendo e contornando crises envolvendo o próprio candidato, enquanto Lula teria sido menos pressionado tanto no debate público quanto pelos próprios discursos de aliados de Flávio. A orientação, agora, é inverter essa lógica e colocar o presidente no centro dos questionamentos da campanha.
A escolha de Alfredo Gaspar também faz parte dessa estratégia. Auxiliares do senador afirmam que a presença do parlamentar na chapa permitirá reforçar o discurso de combate à corrupção, tema que a campanha considera ainda ter potencial para desgastar o presidente. Gaspar foi relator da CPMI do INSS, atuação destacada durante o anúncio da composição da chapa.
Nos bastidores, a definição do candidato a vice dividiu opiniões. Parte dos aliados defendia que a vaga fosse ocupada por uma mulher, sob o argumento de que isso poderia ampliar o alcance da candidatura entre o eleitorado feminino – hoje mais longe do senador – e evitar que a chapa repetisse o perfil das disputas presidenciais de Jair Bolsonaro, em 2018 e 2022, consideradas por integrantes da campanha pouco capazes de atrair votos fora da base bolsonarista.
Ainda assim, uma ala da cúpula avaliou que a escolha de Alfredo Gaspar fortalece a estratégia de intensificar o discurso de oposição ao governo Lula.
Superada a definição da chapa, tema que, como a Jovem Pan mostrou, concentrou os esforços da campanha nos últimos dias, a expectativa é que Flávio Bolsonaro passe a dedicar a agenda à organização dos atos de rua e ao entendimento do papel de Alfredo Gaspar na campanha eleitoral.
São Paulo e Nordeste
Como vem mostrando a coluna, a maior parte das agendas do candidato ao Palácio do Planalto deve ocorrer em São Paulo, especialmente ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Nunes (MDB). Embora Flávio manifeste preferência por iniciar oficialmente a campanha, em 16 de agosto, no Rio de Janeiro, reduto político da família Bolsonaro, integrantes da equipe defendem que o lançamento ocorra em São Paulo ou até mesmo no Nordeste.
Para o Nordeste, a campanha planeja, ainda, uma agenda em Maranguape, no Ceará. A proposta é realizar um evento voltado à segurança pública na cidade, que é a mais perigosa do país e administrada pela oposição, com o prefeito Átila Câmara (PSB), em um estado governado por Elmano de Freitas (PT).
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