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Eliseu Caetano

Carney e Trump abrem caminho para trégua após meses de guerra comercial

Primeiro-ministro canadense anuncia trabalho conjunto por um acordo e reforça que entendimento deverá respeitar a soberania do país

Eliseu Caetano

Trump encontra Mark Carney na Casa Branca
Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente dos EUA, Donald Trump EFE/EPA/FRANCIS CHUNG / POOL

Uma nova conversa entre Mark Carney e Donald Trump abriu uma perspectiva de entendimento na relação comercial entre Canadá e Estados Unidos. Em publicação no X nesse domingo (1º), o primeiro-ministro canadense classificou o diálogo como positivo e anunciou que as equipes dos dois governos trabalharão nas próximas semanas para buscar um acordo.

“Tive uma boa conversa com o presidente Donald Trump sobre o futuro do comércio entre Canadá e Estados Unidos”, escreveu Carney.

O anúncio oferece um sinal de aproximação depois de meses de atritos, tarifas e retaliações. Ainda não representa um acordo fechado: não foram divulgadas as condições de um eventual entendimento nem quais barreiras comerciais seriam retiradas. As negociações têm incluído a possibilidade de aliviar tarifas americanas sobre o aço e os automóveis canadenses.

Na mensagem, Carney apresentou os objetivos da negociação e reiterou os limites que pretende preservar.

“Isso dá continuidade às nossas recentes discussões construtivas sobre as linhas gerais de um acordo comercial mutuamente benéfico, que criaria empregos para nossos trabalhadores, melhoraria o poder de compra das famílias e respeitaria plenamente os idiomas, a cultura e a soberania do Canadá”, afirmou.

A referência à soberania, à cultura e aos idiomas tem relação direta com os pontos de divergência entre os governos. Em agosto, o Canadá abandonou as negociações depois de rejeitar exigências americanas que, segundo Carney, ameaçavam a autonomia do país, as proteções à língua francesa e a indústria automobilística. O impasse foi seguido por tarifas americanas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses e por uma reação de Ottawa.

A retomada do diálogo também ocorre em um momento politicamente sensível para Trump. As eleições de meio de mandato estão marcadas para terça-feira, 3 de novembro, e a disputa comercial passou a fazer parte da campanha em estados próximos à fronteira, como Michigan e Maine. Na semana passada, o presidente americano já havia sinalizado que um acordo poderia estar próximo, enquanto o governo canadense ainda descrevia os avanços como limitados.

Em Michigan, o candidato republicano ao Senado Mike Rogers pediu o fim da guerra tarifária. No Maine, a senadora republicana Susan Collins pressionou por alívio nas tarifas sobre produtos canadenses utilizados por agricultores e outras empresas. Esses movimentos mostram que o custo político da disputa também alcança o partido do presidente americano.

Do lado canadense, o tom mais positivo não elimina a cautela. Na segunda-feira passada, Carney afirmou que qualquer progresso ocorria porque Washington estava se aproximando da posição de Ottawa. Questionado sobre a possibilidade de Trump cumprir um novo acordo, respondeu que não sabia.

Agora, o primeiro-ministro aponta uma próxima etapa: “Nossas equipes trabalharão nas próximas semanas para alcançar esse resultado”.

Há, portanto, uma abertura para reduzir a tensão. O teste será transformar a conversa entre os líderes em compromissos concretos, capazes de diminuir as barreiras comerciais e dar previsibilidade a trabalhadores e empresas dos dois países.

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