‘Censura draconiana que não se admite’, diz Bolsonaro sobre restrição de Facebook

Na ocasião, o presidente também defendeu que o governo federal e o parlamento criem uma legislação para elevar ainda mais as taxas para quem ‘paga muito pouco de imposto’

  • Por Jovem Pan
  • 16/02/2021 12h31 - Atualizado em 16/02/2021 14h49
DIETER GROSS/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDONa segunda-feira, o presidente esteve na praia de Ubatuba, localizada na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, após passeio de moto aquática pelo litoral norte do estado; o mandatário cumprimentou apoiadores na orla da praia, sem máscara e sem respeitar o distanciamento social

O presidente Jari Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar as restrições impostas pelo Facebook em publicação feita em seu perfil, na última sexta-feira, 12, sobre os tributos que incidem na comercialização de combustíveis.  Na ocasião, o mandatário postou uma imagem de uma nota fiscal, mostrando os valores arrecadados com os impostos, apontando indícios de “bitributação, além da desinformação sobre o ICMS, que não é ZERO”. Ainda no post, o presidente convocou os seguidores a abastecer, observar os tributos e também compartilhar fotos das notas. Porém, segundo Bolsonaro, a rede social o impediu de receber as imagens. “Os combustíveis continuam aí demonstrando uma nuvem muito carregada no horizonte. Vamos resolver esse problema. Obrigada quem mandou a nota fiscal por mim por outros meios já que o Facebook bloqueou. Liguei para a AGU para ver o que a gente pode fazer, né. O governo federal também, junto com o parlamento, criar uma legislação para taxar mais ainda esse pessoal que paga muito pouco de imposto”, disse o presidente, em vídeo que circula nas redes sociais nesta terça-feira, 16.

Na ocasião, Bolsonaro também aproveitou para criticar os veículos de comunicação. “Proibir anexar imagens a título de proteger fake news. O certo é tirar de circulação, eu não vou fazer isso porque sou democrata, é tirar de circulação Globo, Folha de São Paulo, Estadão, O Antagonista. São fábricas de fake news”, disparou.  Sobre as restrições que disse ter sofrido do Facebook, o presidente também reclamou da mídia não ter se posicionado sobre o fato. “Deixa o povo ter liberdade. Logicamente que se alguém extrapolar em alguma coisa tem a Justiça para recorrer. Agora o Facebook vir bloquear a mim e à população, é inacreditável que isso impera no Brasil e não há uma reação da própria mídia. A própria mídia se cala. Falam tanto em liberdade de expressão – para eles, em grande parte, mentir com matérias. Agora para a população é uma censura draconiana que não se admite”, destacou. Procurado, o Facebook optou por não comentar o caso. Ao ouvir especialistas, a reportagem apurou que a página do presidente não está configurada para receber imagens e que, por isso, não conseguiu anexar as fotos dos seguidores.

Feriado em Santa Catarina

O presidente está em Santa Catarina para aproveitar o feriado prolongado de Carnaval, acompanhado de filhos, nora e uma neta. Essa é a sétima visita do chefe do Executivo federal ao estado. Ontem, 15, o presidente esteve na praia de Ubatuba, localizada na cidade de São Francisco do Sul, após passeio de moto aquática pelo litoral norte do estado. O mandatário cumprimentou apoiadores na orla da praia, sem máscara e sem respeitar o distanciamento social.  Na aglomeração, os presentes, que também não respeitaram as regras para conter a disseminação do coronavírus, tiraram fotos e entoaram frases como “Mito” e “Deus Abençoe”. No domingo, 14, Bolsonaro telefonou para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e pediu que o ministério dê atenção para a cidade de Chapecó, que vive uma explosão de casos da Covid-19. Após conversa com o governo federal, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, determinou a criação de um Centro Regional de Gerenciamento de Riscos para centralizar as ações de enfrentamento ao vírus e ao aumento de casos da doença. Jair Bolsonaro disse, ainda nesta segunda-feira, que tem um cheque de R$ 20 bilhões parado para a compra de vacinas contra a Covid-19, mas ressaltou que o produto está em falta. Ele negou que o governo federal desestimule a vacinação da população, mas defendeu, novamente, que a proteção seja opcional. A previsão é que o presidente retorne à capital federal ainda hoje, 16.