‘Casca de banana’ ou ‘jabuticaba’, diz Bolsonaro sobre trecho do orçamento que trata de ampliação de fundo eleitoral

Acusado pelo presidente de não colocar o destaque em votação, o deputado Marcelo Ramos disse que foi o governo quem enviou a LDO com a proposta de ‘Fundão’ ao Congresso e que o mandatário ‘tem a caneta para vetar’

  • Por Jovem Pan
  • 18/07/2021 15h35 - Atualizado em 18/07/2021 15h57
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOO presidente defendeu os parlamentares ao dizer que 'todos estão sendo acusados injustamente de ter votado o Fundão" e afirmou que não vai autorizar a ampliação dos recursos para candidatos às eleições

Ao receber alta na manhã deste domingo, 18, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou sobre a polêmica que ronda a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022 em relação à ampliação de recursos destinados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha – o chamado Fundão Eleitoral. Segundo o presidente, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), é o responsável pela aprovação do destaque (trecho do texto principal de um projeto de lei que é “retirado” para votação posterior) que trata sobre o aumento da verba eleitoral de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões. “Em um projeto enorme, alguém colocou lá dentro essa ‘casca de banana’ ou essa ‘jabuticaba’. O parlamento descobriu, tentou destacar para que a votação fosse nominal para essa questão e o presidente [da sessão] Marcelo Ramos do Amazonas… Pelo amos de Deus o Estado do Amazonas ter um parlamentar como esse. Ele atropelou, ignorou, passou por cima e não botou em votação o destaque”, disse Bolsonaro.

O presidente defendeu os demais parlamentares ao dizer que “todos eles estão sendo acusados injustamente de ter votado esse Fundão” e afirmou que não vai autorizar a ampliação dos recursos para candidatos às eleições. “A gente vai buscar dar um bom final para isso daí. Afinal de contas, eu já antecipo, R$ 6 bilhões para fundo eleitoral, pelo amor de Deus. Seis bilhões na mão do Tarcísio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura], ele recapearia grande parte da malha rodoviária no Brasil. Seis bilhões na mão do Rogério Marinho [ministro do Desenvolvimento Regional], ele concluiria água para o Nordeste. Agora isso tudo vai para orçamento, que nós temos um teto. Cada vez mais eu tenho menos recursos para investir. Quem perde com isso é toda a população. E o bom parlamentar não precisa de dinheiro para fazer campanha”.

O deputado Marcelo Ramos, por sua vez, se defendeu nas redes sociais. “Jair Bolsonaro sabe que está mentindo! O Governo dele enviou LDO com fundão eleitoral. Líderes do governo e filhos do Bolsonaro votaram a favor do fundão. Nem votei por estar presidindo a sessão. Presidente, você tem a caneta para vetar. Seja homem, assuma suas responsabilidades!”, publicou. “Ele deveria é dizer que vai vetar, mas vai tentar arrumar alguém para responsabilizar também, porque é típico dele e dos filhos correr das suas responsabilidades e obrigações”, acrescentou Ramos. O deputado federal Rodrigo Maia também se manifestou.”Vamos aguardar a sanção da LDO pra ver se o presidente Bolsonaro está falando a verdade ou apenas tentando transferir responsabilidade. Bolsonaro vai ter a oportunidade de vetar o artigo do fundo eleitoral”.

Negociação irregular de vacinas

O presidente também comentou sobre as acusações de que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria participado de negociações com empresários que queriam vender doses da CoronaVac com preços três vezes maiores do que o normal, pouco antes da saída dele do cargo. “Todos vocês ali nos pressionavam por vacinas, então muitas pessoas foram recebidas no ministério. Vocês viram o próprio traje do Pazuello, ele está, se eu não me engano, sem paletó. Aquele pessoal se reuniu com o diretor responsável por possíveis compras lá no Ministério e, na saída, ele [Pazuello] conversou com o pessoal. Aquele vídeo, se fosse algo secreto, negociar algo superfaturado, ele estaria dando uma entrevista, meu Deus do céu? Ou estaria escondidinho no porão do ministério?”, perguntou.