Após alta do PIB, governo diz que economia não precisará de auxílio em 2021

Secretaria de Políticas Econômicas afirma que estímulos patrocinados pelo governo foram fundamentais, mas devem ser substituídos por reformas estruturantes

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2020 14h33 - Atualizado em 03/12/2020 16h34
Giuliano Gomes/Estadão ConteúdoBenefício foi prorrogado pelo governo federal até o fim do ano, mas com metade do valor original

A recuperação da economia projetada para o segundo semestre deste ano dará condições ao Brasil seguir 2021 sem a necessidade de auxílios e benefícios, afirmou o Ministério da Economia em nota publicada nesta quinta-feira. O documento traz a análise do governo federal sobre o aumento de 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano e cita que os estímulos patrocinados pelo poder público para conter os efeitos do novo coronavírus no país devem ser substituídos pelas reformas estruturantes encaminhadas para debate e aprovação no Congresso. “É importante frisar que a retomada da atividade e do emprego, que ocorreu nos últimos meses, compensará a redução dos auxílios. Outro fator positivo será a melhora das condições financeiras que continuarão impulsionando a atividade, principalmente com a retomada da agenda de reformas”.

O texto segue a linha adotada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, nas últimas semanas ao afirmar que o auxílio emergencial encerra em 31 de outubro, e que o país não passa por uma nova onda de infecções que justifiquem a nova prorrogação. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também endossou o discurso e nesta semana ao afirmar que o perpetuar alguns benefícios seria o caminho para o “insucesso”. O documento redigido pela Secretaria de Políticas Econômicas também enaltece os programas lançados pelo governo federal para a proteção dos mais vulneráveis e a proteção dos empregos. Segundo o texto, as ações foram “fundamentais para a reversão da tendência de deterioração da atividade”. “Atualmente, observa-se que diversos setores da economia já recuperaram os níveis anteriores a pandemia e há uma vigorosa criação de postos formais de trabalho. Para que a economia continue trilhando taxas mais elevadas de crescimento, é imprescindível a retomada da agenda de consolidação fiscal e reformas estruturais”, informa a nota.

A recuperação da economia brasileira no trimestre encerrado em setembro veio abaixo do esperado pelo mercado e governo. Os analistas esperavam alta próxima de 9%, enquanto o Ministério da Economia havia divulgado projeção de 8,3%. Já o Banco Central esperava que o crescimento mais robusto, na casa do 9,4%. O texto publicado pela SPE reconhece que o número esta aquém do projetado, mas que indica a recuperação em “V”, termo usado para exemplificar uma forte queda seguida por alta vertiginosa. A mesma expressão foi usada mais cedo por Guedes ao comentar o desempenho econômico. “Houve revisões de trimestres anteriores, reviram o crescimento um pouco para cima, então veio um pouquinho abaixo do esperado, mas o fato é que a economia está voltando em ‘V’, realmente está voltando”, afirmou o ministro.