Tráfego permanece praticamente parado no Estreito de Ormuz, mostram dados

Enquanto isso, eventual retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos é incerta, já que Teerã ainda não decidiu se participará das conversas no Paquistão

  • Por Jovem Pan
  • 20/04/2026 10h37
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GIUSEPPE CACACE / AFP estreito de ormuz Tráfego permanece praticamente parado no Estreito de Ormuz, mostram dados

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanecia praticamente parado nesta segunda-feira (20), com apenas três travessias nas últimas 12 horas, de acordo com dados de navegação.

O petroleiro Nero, que está sob sanções do Reino Unido, deixou o Golfo e estava navegando pelo Estreito na segunda-feira, segundo análise de satélite dos especialistas em análise de dados SynMax e dados de rastreamento da plataforma Kpler.

Dois navios separados – um navio-tanque de produtos químicos e um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo – navegaram para o Golfo através da hidrovia vital separadamente nesta segunda, mostraram os dados.

Negociações travadas

Enquanto isso, a eventual retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos no Paquistão permanecem incertas, a menos de dois dias do fim do cessar-fogo. Teerã ainda não decidiu se participará das conversas ou não.

A situação ficou ainda mais complicada com o anúncio, no domingo (19), da apreensão pela Marinha americana de um cargueiro iraniano, o Touska, no Golfo de Omã.

O presidente Donald Trump anunciou o envio a Islamabad de uma delegação americana para tentar reativar as negociações de paz, mas Teerã expressou reservas.

O objetivo é alcançar um acordo para o fim duradouro da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos, e que se propagou por todo o Oriente Médio, com um balanço de milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e um forte impacto na economia mundial.

“Neste momento, enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, que questionou a “seriedade” de Washington no processo diplomático.

No domingo, a agência oficial Irna destacou a ausência de uma “perspectiva clara de negociações frutíferas”.

A imprensa iraniana destacou que a suspensão do bloqueio naval americano é uma condição prévia para as conversações.

Cargueiro apreendido

O cargueiro Touska, de bandeira iraniana, “tentou escapar do nosso bloqueio marítimo e as coisas não correram bem para eles”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Teerã, por meio do porta-voz do Estado-Maior, prometeu “responder em breve” ao que chamou de “ato de pirataria armada” que viola o cessar-fogo em vigor.

Segundo a agência Tasnim, o Irã lançou drones na direção dos navios militares americanos que “atacaram” o Touska.

Mesmo sem a eventual confirmação das negociações, a segurança foi reforçada em Islamabad, capital paquistanesa, com o fechamento de rodovias e a presença de barricadas.

A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que também coordenou a comitiva de Washington no primeiro ciclo de conversações, em 11 de abril.

A reunião, com um nível de representantes de alto escalão sem precedentes desde a fundação da República Islâmica em 1979, terminou sem avanços.

Ao anunciar a nova rodada no Paquistão, Trump afirmou na Truth Social que oferecia a Teerã um “acordo razoável” e que, em caso de rejeição, “os Estados Unidos destruiriam todas as usinas elétricas e todas as pontes do Irã”.

Com o aumento da tensão, os preços do petróleo voltaram a disparar nesta segunda-feira, com altas de mais de 6% no barril do Brent e no WTI.

*Com informações da AFP e da Reuters

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