Caiado promete anistiar Bolsonaro se chegar à presidência
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), prometeu nesta segunda-feira (30) anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro se for eleito presidente. O chefe do Executivo goiano deu declaração durante evento de oficialização de sua pré-candidatura ao Planalto pelo Partido Social Democrático (PSD).
“Eu vim com esse objetivo de pacificar o Brasil. Ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, estarei dando uma amostra de que, a partir dali, irei cuidar das pessoas”, afirmou Caiado.
O goiano falou que o país “não suporta mais viver” a polarização política. “Posso afirmar a todos vocês que não é um traço da política nacional. É sustentada por um projeto por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada, sim, por alguém que não faz parte dela”, disse.
Caiado comunicou que deixará o Executivo de Goiás na terça-feira (31). Como mostrou a Jovem Pan, o PSD agora “namora” colocar o ex-governador de Minas e o pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo), como vice na chapa com o goiano.
Articulação no PSD
Durante o discurso, Caiado ainda agradeceu a recepção do PSD. O goiano afirmou que a legenda de Gilberto Kassab tem uma “estrutura sólida no país”. O pré-candidato fez sinal aos governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, e disse que os colegas são “bem avaliados e preparados” para disputar o Planalto.
Conforme antecipou a colunista Beatriz Manfredini, da Jovem Pan, o anúncio da pré-candidatura de Caiado foi marcado para esta segunda-feira, depois de o PSD encerrar as articulações internas sobre a escolha de um nome para a corrida presidencial. O governador de Goiás foi indicado pela legenda após a desistência de Ratinho Jr. e com a perda de força da opção por Eduardo Leite.
Fontes do PSD disseram ao jornalista Bruno Pinheiro, da Jovem Pan, que a decisão de apoiar a candidatura de Caiado surpreendeu a bancada do partido na Câmara dos Deputados. Os parlamentares relataram que não foram ouvidos antes da definição e contavam com o nome de Ratinho Jr., até o recuo do governador do Paraná. Para os congressistas, a candidatura de Eduardo Leite representaria uma verdadeira terceira via.
Ainda à Jovem Pan, a bancada do PSD contou que a escolha por Caiado foi tomada por Kassab e pelos chamados “mandachuvas” da legenda. Algo avaliado como uma aproximação da legenda do campo bolsonarista e que distancia a legenda do centro.
Eduardo Leite reagiu com frustração à decisão do PSD e sinalizou que sua jornada política não termina com uma deliberação partidária. “Essa decisão desencanta a mim e a tantos outros brasileiros pela forma como insistem em fazer política no nosso país”, afirmou o governador do Rio Grande do Sul, em vídeo publicado nas redes sociais, sem citar Caiado pelo nome.
Leite disse ter recebido manifestações de apoio de lideranças políticas, economistas e da sociedade civil. O governador gaúcho defendeu o que chamou de uma via centro-liberal-democrática. Ele também afirmou que a decisão de sua legenda “tende a manter o ambiente de polarização radicalizada”.
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