Reino Unido vai rever se mantem estátuas que homenageiam escravocratas
O Reino Unido está passando por um processo de revisionismo histórico feito nas ruas por manifestantes — e não nas academias por professores. Os protestos contra o racismo persistem ao redor do país e as autoridades locais tentam entender o que é possível de ser feito neste momento.
Na terça-feira (9), mais uma estátua ligada ao tráfico de escravos foi removida por aqui — dessa vez pela administração regional. A homenagem a Robert Milligan, mercador e proprietário de escravos e de uma plantation de cana de açúcar na Jamaica, foi retirada sob aplausos e comemorações de manifestantes.
Ela estava no leste da cidade, na região de West India Quay, na antiga área de docas da capital britânica que Milligan ajudou a construir. Outras homenagens a figuras ligadas a escravidão estão sendo revistas pela prefeitura de Londres.
Em Manchester foi criada uma comissão para reavaliar todas as estátuas e entender o contexto histórico de cada uma delas. O partido trabalhista, que comanda as prefeituras de cidades como Londres, Manchester e Liverpool, prometeu rever essas homenagens em todos as regiões que estão sob a administração do partido.
Uma das principais mobilizações dentro do contexto do Vidas Negras Importam ocorreu na tradicional cidade de Oxford, onde fica a renomada universidade britânica. Mais de mil manifestantes se concentraram em frente a estátua do imperialista vitoriano Cecil Rhodes.
O debate sobre a remoção da homenagem ao político e empresário que atuou na anexação de diversos territórios africanos à coroa britânica é antigo. Uma outra estátua dele, na Universidade do Cabo, na África do Sul, chegou a ser cercada por tapumes depois de manifestações em 2015.
Há anos a Universidade de Oxford vem sendo pressionada para remover a homenagem em um de seus prédios históricos. O movimento mais recente na Inglaterra começou em 2016, mas na ocasião a universidade decidiu manter a homenagem — até porque grandes doadores da aristocracia britânica ameaçaram cortar cerca de 100 milhões de libras em financiamento da instituição caso ela cedesse às manifestações.
E aqui cabe lembrar que nem todo o país concorda com esse revisionismo que está ocorrendo agora. A remoção da estátua em Londres, por exemplo, gerou uma enxurrada de críticas contra o prefeito.
Os opositores do movimento questionam a falta de diálogo com a população. E lembram que, no mais, essas estátuas devem ser interpretadas dentro do contexto histórico delas.
Além, é claro, de representar o passado do Império Britânico, que não pode ser apagado desta forma. É um debate acalorado que ainda vai render bastante.
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