Sequelas profundas da Covid-19 exigem acompanhamento e novos tratamentos
Há um mês se recuperando de um quadro grave causado pelo coronavírus, Diego Freire ainda sente os efeitos causados pelos 35 dias em que ficou internado em um hospital de Brasília. Aos 33 anos, o jornalista precisou ficar duas semanas intubado e chegou a perder 15 quilos durante a internação. Mesmo curado, ele conta que o tratamento continua, agora com fisioterapeutas e acompanhamento constante de outros médicos e psicólogos. “Eu sai do hospital já dando alguns pequenos passos, eu conseguia levantar com muita dificuldade e dar um pequeno passo. Isso, para mim, já foi uma grande vitória para mim. Fui para casa e aí comecei a ter a fisioterapia domiciliar.”
Diego Freire era assessor de imprensa do senador Major Olímpio, que não resistiu às complicações da Covid-19 e morreu em março deste ano. Ele só ficou sabendo da morte do colega dias após o ocorrido e agora tenta retomar a vida depois do período angustiante na UTI. “Tive esse processo da intubação, fiquei 14 dias intubado. E esse período é muito crítico, é uma sensação muito ruim. É aquela sensação de você estar dormindo, mas está acordado. E quando está acordado, está dormindo. Você não sabe o que é sonho, o que é realidade. Você tem sonhos, pesadelos, escuta as pessoas falando. Mas não tem noção se realmente está acontecendo. Tive que reaprender a comer, a respirar, falar. Então comecei do zero. É como se você tivesse pegado um celular e dado um reset. Você vai reiniciar todo o processo de recuperação.”
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Além dos quilos a menos, o jornalista também desenvolveu problemas de saúde mesmo após deixar o hospital — como pressão alta, glicose desregulada e muito esquecimento. Segundo o gerente médico da Apsen Farmacêutica, Caio Gonçalves, os sintomas são comuns em pacientes que ficaram muito tempo acamados, sob efeitos de sedativos e outros medicamentos. O médico explica que, quando há perda de musculatura e força, o que causa desequilíbrio e dificuldades para andar, a recuperação precisa começar o quanto antes. “Muitas vezes esse paciente está tão debilitado e mal consegue andar, já no hospital ele tem que começar a fisioterapia, a fazer os exercício, treinar o andar, levantar. Para conseguir ter esse treino.”
Caio Gonçalves ressalta que a reabilitação pode durar até seis meses após o paciente deixar o hospital e, se não for feita de modo adequado, as consequências podem ser graves. “Ele vai ficar com uma fraqueza muito grande do músculo e ele pode, se for idoso principalmente, ter quedas. Ele vai perder o equilíbrio porque não tem força para segurar a perna. Pode cair, ter machucados e grande risco de ter fratura ligada à osteoporose também.” Segundo o médico, fisioterapia, exercícios, estímulos elétricos para o músculo, melhorias na alimentação e suplementação são as formas de tratamento mais comuns nestes casos.
*Com informações da repórter Letícia Santini
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