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Política

Na Paulista, 7 de Setembro de Flávio teve STF no centro e apoio a Mendonça

Ato de segunda-feira (7) reuniu 28,5 mil pessoas e teve críticas a Moraes, defesa do ministro do Supremo e discursos de campanha

Nícolas Robert

Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL)
Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) VINCENT BOSSON/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Avenida Paulista foi tomada na segunda-feira (7) por apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, em uma manifestação marcada por críticas ao presidente Lula (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Jovem Pan acompanhou a manifestação na Paulista e registrou a movimentação dos apoiadores, os discursos das principais lideranças e as pautas que dominaram o ato.

O protesto havia sido convocado pelo PL antes da crise entre Moraes e o ministro André Mendonça ganhar força na última semana. A divulgação de mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por determinação de Mendonça, mudou o peso dado ao STF na manifestação.

A defesa do ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e os pedidos de afastamento de Moraes passaram a ocupar boa parte dos discursos e dos cartazes levados à avenida.

O tamanho do público, porém, foi menor do que nos dois anos anteriores. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político – USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common, 28,5 mil pessoas estavam no local no momento de maior concentração. Em 2025, o mesmo levantamento havia estimado 42,2 mil pessoas na Paulista. Em 2024, foram 45,4 mil.

Como a margem de erro é de 12%, isso quer dizer que, na segunda-feira, havia entre 25,1 mil e 32 mil participantes às 16h32, horário de pico. A contagem é feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.

A redução ocorre justamente em um momento de maior exposição política de Flávio Bolsonaro. O senador tenta consolidar sua candidatura à Presidência e aparece nas pesquisas em disputa acirrada com Lula em um eventual segundo turno.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira mostra completo empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Os dois aparecem com 41% das intenções de voto.

Moraes virou principal alvo

Desde o início da tarde, os discursos no trio elétrico montado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) tiveram Moraes como um dos principais alvos. Cartazes com frases como “Fora Lula” e “Xandão no Xadrez” foram espalhados pela avenida.

Também havia manifestações de apoio a Mendonça, que determinou a divulgação das mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O conteúdo dos diálogos citou Moraes e mostrou a relação que o banqueiro tem com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação das mensagens abriu uma crise sem precedentes dentro do STF. Depois de Mendonça levar o caso a Fachin, Moraes encaminhou ao presidente da Corte um pedido de investigação contra o colega, com acusações de possíveis irregularidades na condução de processos relacionados ao Banco Master e ao caso do INSS.

Fachin passou a conduzir os procedimentos e deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, apresentassem manifestações.

A disputa entre os ministros acabou chegando ao discurso dos candidatos. Flávio prometeu retirar Moraes do Supremo caso seja eleito e disse que não permitirá que Lula indique outros ministros com o mesmo perfil.

“Fora Lula e fora Moraes”Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao iniciar seu discurso, por volta das 16h20

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também falou sobre o Supremo. Sem pedir diretamente a saída de Moraes, defendeu que todos os agentes públicos estejam submetidos à Constituição e destacou a importância de eleger uma maioria de direita para o Senado.

O Senado é responsável por processar eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF.

Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia adotaram um discurso mais duro. Nikolas pediu o impeachment de Moraes, enquanto Malafaia chamou o ministro de “ditador da toga” e pediu seu afastamento.

Discurso de Flávio

Flávio foi o último a falar no trio elétrico e apresentou propostas para segurança pública, além de defender pautas conservadoras.

O candidato do PL prometeu reduzir a maioridade penal, aumentar penas para crimes como roubo de celulares e classificar facções como PCC e Comando Vermelho (CV) e grupos milicianos como terroristas.

A anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro também esteve entre os principais pontos do discurso. Bolsonaro está preso após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio afirmou que pretende anistiar o pai e disse que os dois voltarão juntos ao Palácio do Planalto.

A presença de Tarcísio também teve peso eleitoral. O governador disputa a reeleição em São Paulo e divide com Flávio parte do eleitorado de direita. Os dois, no entanto, subiram ao mesmo palanque e defenderam a eleição de uma bancada de direita para o Senado.

Trump apareceu entre o público, mas não no palanque

Outro elemento chamou atenção na Paulista. Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, um boneco gigante de Donald Trump e bonés com referências ao presidente americano apareceram entre os manifestantes.

Também havia cartazes em inglês pedindo que Trump acompanhasse as eleições brasileiras e referências a uma possível interferência americana no processo eleitoral.

Trump, porém, não foi citado pelos principais políticos que discursaram.

A postura é diferente da adotada por Flávio no ano passado, quando o senador agradeceu ao presidente americano pelas tarifas impostas a produtos brasileiros. Neste ano, já como candidato à Presidência, Flávio passou a defender que novas tarifas não fossem aplicadas antes das eleições.

Na Paulista, a campanha preferiu concentrar o discurso em Lula, Moraes, segurança pública, anistia a Bolsonaro e composição do STF.

O próprio Flávio também não citou Daniel Vorcaro, apesar de ter tido a relação com o dono do Banco Master exposta nos últimos meses. Mensagens revelaram que o senador mantinha contato com Vorcaro e havia pedido apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

O tema apareceu entre os manifestantes, mas não foi levado ao centro do discurso do candidato.

O que o ato mostrou

O 7 de Setembro na Paulista teve uma pauta mais ampla do que a oposição a Lula. A crise entre Moraes e Mendonça passou a ocupar espaço importante na manifestação e foi usada pelos candidatos como argumento para defender uma mudança na composição do STF e uma bancada de direita mais forte no Senado.

Ao mesmo tempo, o número de participantes ficou abaixo dos registrados nas manifestações de 2024 e 2025.

O ato também mostrou que a candidatura de Flávio será construída em torno de pautas que já fazem parte do bolsonarismo, mas com uma tentativa de colocar o senador no centro da disputa presidencial.

Na avenida, a campanha teve Lula e Moraes como principais adversários. Entre o público, Trump ainda apareceu como símbolo de parte da direita, mas ficou fora do discurso dos principais candidatos.

Em Brasília, o governo Lula deu outro significado ao 7 de Setembro. No desfile oficial, o presidente colocou a soberania nacional no centro da comemoração, enquanto a manifestação na Paulista foi usada pelo bolsonarismo para atacar o governo, pressionar o STF e defender seus candidatos para as eleições de outubro.

A distância entre os dois eventos mostrou também como a mesma data foi usada pelos dois lados para apresentar visões diferentes sobre o momento político do país.

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