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Política

PF diz que Vorcaro sabia de investigação antes de operação que o prendeu

Polícia afirmou que banqueiro conhecia a vara, o juiz e integrantes da equipe responsável pela apuração; relatório posterior encontrou indícios de que ele também sabia das medidas previstas para o dia seguinte

Matheus Alleoni e Bruno Pinheiro

Daniel Vorcaro, do Banco Master
Daniel Vorcaro, do Banco Master Reprodução

A Polícia Federal (PF) afirmou ter reunido indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, soube antecipadamente da investigação que corria sob sigilo antes da operação que resultou em sua prisão, em novembro de 2025. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.

Segundo a corporação, Vorcaro tinha conhecimento não apenas da existência do inquérito, mas também de detalhes sobre quem conduzia a apuração.

“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação”, afirmou a delegada responsável pelo caso.

A declaração consta de um pedido de prorrogação do inquérito apresentado pela PF em novembro de 2025. Para a corporação, o acesso antecipado às informações reforçava naquele momento a suspeita de que Vorcaro pretendia deixar o país.

“Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos”, registrou a delegada.

Um relatório posterior da PF, elaborado a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, acrescentou outro elemento à suspeita. A corporação afirmou ter encontrado indícios de que o banqueiro sabia das medidas cautelares que seriam aplicadas contra ele em 18 de novembro de 2025, data da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Na véspera da operação, o advogado Walfrido Warde compartilhou com Vorcaro uma captura de conversa com um contato identificado como “Ricardo Leite”. Segundo a PF, as mensagens permitiam apontar que o interlocutor seria, provavelmente, o juiz responsável pelas medidas cautelares previstas para o dia seguinte.

Ricardo Augusto Soares Leite era juiz federal substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, que conduzia procedimentos sigilosos relacionados à investigação. Documentos do processo mostram decisões assinadas por ele em medidas cautelares do caso.

Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. No dia seguinte, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigava suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB.

Sigilo do caso Master

Os documentos vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, mandou retirar o sigilo das investigações do Banco Master e dos processos relacionados ao caso. Fachin também determinou que o material fosse encaminhado aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro.

André Mendonça, relator das investigações, atendeu ao despacho e liberou os documentos, além de determinar o envio de cópia integral à Presidência do STF e aos demais integrantes da Corte.

A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da PF citarem contatos de Vorcaro com integrantes da Corte. Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois, e Fachin posteriormente suspendeu as duas decisões, concentrou na Presidência do STF a análise dos processos relacionados ao caso e convocou os 11 ministros para discutir as investigações no plenário no dia 15.

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