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Política

Presidentes da Câmara e do Senado faltam à sanção de lei do IR e expõem mal-estar com o governo

Motta alegou compromissos internos para justificar a ausência; segundo uma fonte da Casa Alta, Acolumbre 'não tinha clima' para comparecer

Felipe Cerqueira

Hugo Motta e Davi Alcolumbre
54777164925_326a5e20b8_b Jonas Pereira/Agência Senado

A cerimônia de sanção da lei que amplia a isenção do Imposto de Renda, uma das principais apostas do governo Lula para as eleições de 2026 e promessa de campanha de 2022, nesta quarta-feira (26), é marcada pela ausência dos presidentes da Câmara e do Senado. Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) decidiram não participar do evento no Palácio do Planalto, deixando evidente o clima de tensão com o Executivo.

Motta alegou compromissos internos para justificar a ausência em um dos atos mais simbólicos do governo. Mesmo assim, preferiu se manifestar pelas redes sociais, onde exaltou o “trabalho conjunto entre os Poderes” e ressaltou que a Câmara aprimorou o texto, elevando a faixa de redução da alíquota até R$ 7.350.

Nos bastidores, porém, o presidente da Câmara vive semanas de atrito com o governo. Ele rompeu relações com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias, após sucessivas trocas de acusações sobre a condução do projeto antifacção, tema sobre o qual Motta já havia dito publicamente que o governo errou em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

Se a ausência de Motta foi calculada, a de Alcolumbre foi classificada como política. Segundo uma fonte do Senado, o presidente da Casa simplesmente “não tinha clima” para comparecer. O senador ainda não retomou o diálogo nem mesmo com o líder do PT, Jaques Wagner, após o desgaste provocado pela indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre articulava a escolha de Rodrigo Pacheco, mas Lula optou por contrariar a ala majoritária do Senado.

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Enquanto os dois presidentes do Congresso se mantiveram afastados, Lula sanciona a lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e cria descontos para rendas de até R$ 7.350. A medida, uma promessa de campanha de 2022, deve tirar cerca de 15 milhões de brasileiros da base de contribuintes. O texto também eleva a taxação sobre altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais.

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