JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Fora do ar
Política

Senador não tem pressa, mas quer entregar relatório sobre reforma do IR ainda este ano

Senador Angelo Coronel ouviu de um líder da Casa que o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados está 'cheio de pegadinhas' e, por isso, defende que o texto não seja elaborado 'no afogadilho'

André Siqueira

Relator da reforma do Imposto de Renda no Senado, Angelo Coronel (PSD-BA) afirma que não tem pressa para entregar seu parecer sobre a matéria, aprovada no início de setembro na Câmara dos Deputados. O parlamentar baiano, no entanto, quer entregar seu relatório ainda este ano. “Não terei pressa. Estive com o presidente Arthur Lira para começar a abrir um canal de diálogo a fim de acordar que a Câmara que as possíveis modificações que venham a ser feitas sejam aceitas pela Câmara. Também vou externar ao Pacheco [presidente do Senado] que não há pressa. Não dá para fazer o relatório no afogadilho, porque estamos mexendo com o Brasil. Não dá para fazer nada com açodamento, porque podemos cometer erros. Vou estudar a matéria, ouvir especialistas, tributaristas, lideranças, para que possamos sair com o texto mais palatável possível”, disse Coronel à Jovem Pan. “Pretendo entregar esse ano. Tenho umas três ou quatro semanas para ouvir representantes do segmento empresarial brasileiro. Espero que até final de outubro o texto esteja pronto”, acrescenta.

Senadores que conversaram com Angelo Coronel nos últimos dias levaram ao relator da reforma do IR a preocupação com o conteúdo do texto aprovado pela Câmara. “O projeto está cheio de pegadinhas”, ouviu o parlamentar do PSD de um líder da Casa. Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à possível perda de arrecadação de Estados e municípios – a Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta uma redução de R$ 28,9 bilhões. O Ministério da Economia, por sua vez, nega que haverá queda na receita dos entes subnacionais. Em nota, divulgada no último dia 3, a pasta afirma que o impacto da proposta será compensado pelo aumento da arrecadação de impostos. O projeto reduz o Imposto de Renda das empresas de 15% para 8% e corrige a tabela do Imposto de Renda do Pessoa Física. Em troca, o ministério pede a tributação dos lucros e dividendos, mas os deputados reduziram a alíquota dessa taxação de 20% para 15%.

[jp-related-posts ids=””]

O senador Angelo Coronel se apoia em outra questão para se aprofundar no assunto antes de apresentar seu relatório. Na segunda-feira, 27, o Congresso Nacional aprovou um projeto que promove alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e autoriza o governo federal a contar com recursos de projetos ainda não aprovados e, portanto, que ainda não estão em vigor, para compensar os gastos com o Auxílio Brasil, que irá substituir o Bolsa Família. Um dos fundos para isso seria a reforma do Imposto de Renda.