‘Tarifa é algo patriótico até a página dois’, diz Tarcísio na Coopercitrus Expo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta segunda-feira (21), que as tarifas “podem até parecer algo patriótico”, mas apenas até certo ponto. As declarações ocorrem em meio ao acirramento das tensões entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. “Tarifas podem até parecer algo interessante para quem aplica, algo patriótico, algo que traz um retorno para empresas, para empregos. Isso é verdade até a página dois”, disse o governador durante a abertura da Coopercitrus Expo, em Bebedouro, no interior paulista.
“No médio e longo prazo, a aplicação de tarifas cria um mercado viciante. A aplicação de tarifas é um obstáculo para o desenvolvimento de tecnologia. Torna empresas dependentes do Estado. Nunca foi bom ao longo do tempo”, afirmou Tarcísio. Entre as justificativas de Trump para a imposição das tarifas ao País estão os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou a decisão para cobrar do Congresso Nacional a aprovação de uma anistia para o seu pai.
Na última sexta-feira (18), Bolsonaro foi alvo de uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O ex-presidente está submetido a medidas restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e também está proibido de acessar as redes sociais.
Eduardo chegou a pedir que os Estados Unidos mandassem “uma resposta” para o que ele classificou como “novo modelo de censura brasileiro”. Após a determinação do STF, o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, anunciou a revogação imediata dos vistos dos ministros da Corte brasileira e de seus familiares diretos.
O anúncio das tarifas escancarou o embate entre o filho 03 do ex-presidente e o governador paulista, que tem como pano de fundo as eleições de 2026. Eduardo chegou a discutir com Tarcísio sobre a postura que deveria ser adotada diante das tarifas. Ainda durante seu discurso nesta manhã, Tarcísio reforçou a defesa do diálogo e enfatizou que a política externa brasileira deve se pautar pelo interesse nacional, não por disputas ideológicas.
“As duas maiores economias das Américas e as duas maiores democracias do Ocidente não podem estar distantes. E é fundamental que a gente chegue a uma solução para isso. Nós precisamos ter essa compreensão que o discurso eleitoral não pode estar acima do interesse nacional”, afirmou Tarcísio, que figura como principal adversário da direita para enfrentar o presidente Lula no próximo ano.
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“Quem fala em nome do Brasil tem que ter essa compreensão. Tem que trabalhar para distensionar as relações. Tem que trabalhar para pacificar. Tem que trabalhar para entender o jogo geopolítico. Entender que o Brasil não ganha nada em se aliar a determinados blocos em detrimento de outros. E se a gente entender isso, a gente vai conseguir ter sucesso na mesa de negociação”, concluiu.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Fernando Dias
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