Cartão de crédito: vilão ou mocinho das finanças?

Ao mesmo tempo em que facilita a vida do consumidor, a ferramenta de pagamentos pode causar muitos problemas; saiba como usá-la a seu favor

  • Por Lívia Zanolini
  • 01/07/2021 15h26 - Atualizado em 01/07/2021 19h43
PixabayA dívida do cartão de crédito é, de longe, a mais comum entre os brasileiros; em maio, 81% das famílias recorreram à modalidade

O percentual de famílias endividadas, no Brasil, chegou a 68% em maio deste ano – o maior nível já registrado, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. O levantamento apontou, ainda, que o endividamento crescente é reflexo da crise no mercado de trabalho, agravada pela pandemia, da inflação mais elevada e do menor valor do auxílio emergencial para os informais este ano. E, neste cenário, o crédito acaba sendo usado como ferramenta de recomposição de renda. A dívida do cartão de crédito é, de longe, a mais comum entre os brasileiros, visto que 81% das famílias recorreram à modalidade – proporção recorde do indicador. Na sequência, estão os débitos em carnês e financiamentos de carro e de imóvel.

E não é difícil entender por que tanta gente prefere o cartão. Ele oferece uma série de vantagens, como facilidade de acesso ao crédito, recurso disponível diante de imprevistos, prazo maior para pagamento e parcelamento sem juros, bônus e benefícios, como programas de pontos, além de facilitar a organização e o planejamento dos gastos. Mas, se for usado de forma indiscriminada, pode ser uma grande armadilha. Se, por um lado, o acesso fácil ao crédito é uma vantagem, por outro, é um risco para consumidores impulsivos. Outra desvantagem é a possibilidade de fraude, como a clonagem do cartão. Para quem faz compras na internet, o cuidado deve ser redobrado.

Mas são as altíssimas taxas de juros que mais preocupam. Quem faz o parcelamento fica sujeito aos juros que variam conforme a quantidade de parcelas. Já quem paga parte do valor, respeitando o limite mínimo… Aí é que mora perigo! O restante da dívida cai no crédito rotativo, que é como se fosse um empréstimo automático pelo prazo máximo de 30 dias. Os juros desta modalidade estão entre os maiores do mercado, atingindo, em média, mais de 300% ao ano! Ou seja, concorda que o rótulo de vilão ou mocinho está muito mais ligado à forma com que as pessoas usam o cartão de crédito do que à ferramenta em si? Por isso, a dica é aprender a controlar os gastos e planejar o orçamento para ter uma vida financeira mais equilibrada. Com ou sem cartão. Tá Explicado? 

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