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Milei não pedirá desculpas ao Brasil após reação de Lula, diz jornal argentino

No evento de lançamento de candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente argentino chamou o ministro Alexandre de Moraes de 'lixo careca' e fez críticas ao governo Lula (PT)

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Javier Milei
Presidente da Argentina, Javier Milei EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA

O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, não pretende pedir desculpas ao Brasil após a reação do presidente Lula (PT) às declarações feitas pelo argentino durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo. A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación, que revela que a decisão já foi comunicada pelo governo de Buenos Aires e que não haverá retratação nem do presidente nem do embaixador argentino no Brasil.

Segundo o jornal, fontes do governo argentino indicaram que, apesar da convocação do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, não está prevista qualquer manifestação de desculpas. A publicação também aponta que o governo brasileiro não considera medidas mais severas, como rompimento das relações diplomáticas ou expulsão de representantes argentinos.

“A opinião é unânime: dezenas de diplomatas, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais, tanto da ativa quanto aposentados, de ambos os países, não têm dúvidas de que a maior crise diplomática do último meio século entre Argentina e Brasil acaba de ser desencadeada”Claudio Jacquelin, do jornal La Nación

A crise teve início após Milei participar no sábado (25) do evento de lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante um discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino criticou o presidente Lula, atacou políticas do governo brasileiro e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”, por causa da decisão que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.

Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para transmitir a insatisfação do governo brasileiro com as declarações. Também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas sobre a situação das relações entre os dois países.

Reação do Itamaraty

Após as declarações de Milei, o governo brasileiro reagiu e adotou medidas diplomáticas. Primeiro, convocou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Em seguida, chamou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir a “repulsa” do governo brasileiro às declarações do presidente argentino e cobrar explicações sobre o episódio.

Segundo comunicado, a convocação ocorreu em razão das “agressões” de Milei a Lula e a outras autoridades brasileiras durante a convenção do PL, em São Paulo. A pasta afirmou que “não há precedentes” para um caso em que “um presidente estrangeiro, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado” e a instituições democráticas brasileiras.

No discurso, Milei se referiu a Lula como “presidiário” e “ladrão”, sem citar o presidente, e chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca”. O presidente argentino também afirmou que o Brasil precisava se livrar do que chamou de “risco Lula” e abandonar a “submissão ao esquerdismo”, ao defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.