Do PCB ao PL: conheça a trajetória política de Márcio Bittar no Acre
Márcio Bittar (PL) chega às eleições de 2026 em busca de um segundo mandato no Senado depois de uma trajetória política que atravessou diferentes partidos e campos ideológicos. Aos 63 anos, o senador já foi deputado estadual, deputado federal e disputou três vezes o governo do Acre.
Nascido em Franca, no interior de São Paulo, em 28 de junho de 1963, Márcio Miguel Bittar é agropecuarista e construiu sua carreira política no Acre. Antes de chegar aos cargos eletivos, participou do movimento estudantil e iniciou sua militância partidária ainda no começo da década de 1980.
A trajetória chama a atenção pela mudança de posição política ao longo das décadas. Hoje filiado ao PL e aliado do grupo político de Jair Bolsonaro, Bittar militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a juventude.
Movimento estudantil à Câmara
Bittar começou sua trajetória partidária em 1981, como secretário-geral da Juventude do PMDB. Na mesma década, militou no PCB e participou do movimento estudantil. A entrada nos cargos eletivos ocorreu nos anos 1990. Em 1994, foi eleito deputado estadual pelo Acre, assumindo o mandato no ano seguinte. Quatro anos depois, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, eleito pelo PMDB.
O primeiro mandato como deputado federal foi exercido entre 1999 e 2003. Nesse período, Bittar deixou o PMDB e passou pelo PPS. Ao fim do mandato, tentou mudar de Casa. Em 2002, concorreu ao Senado, mas terminou a eleição em terceiro lugar. Dois anos depois, voltou às urnas como candidato à prefeitura de Rio Branco e novamente não foi eleito.
Duas disputas
Bittar concorreu pela primeira vez ao governo acreano em 2006. Na ocasião, terminou em segundo lugar, com 35,12% dos votos, e foi derrotado no primeiro turno por Binho Marques (PT). Já filiado ao PSDB, voltou à Câmara dos Deputados após as eleições de 2010. No segundo período como deputado federal, entre 2011 e 2015, chegou à Mesa Diretora e exerceu o cargo de primeiro-secretário da Câmara de 2013 a 2015.
Durante a passagem pela Casa, também atuou em comissões ligadas ao desenvolvimento regional, à Amazônia e ao meio ambiente. Em 2014, Bittar voltou a concorrer ao governo do Acre, desta vez pelo PSDB. Passou ao segundo turno depois de receber 30,10% dos votos na primeira etapa da eleição e enfrentou o então governador Tião Viana (PT).
A disputa terminou apertada. Tião Viana foi reeleito com 51,29% dos votos válidos, contra 48,71% de Bittar, uma diferença inferior a 10 mil votos.
Vitória para o Senado
Depois da segunda derrota na disputa pelo governo, Bittar retornou ao MDB e, em 2018, concorreu a uma das duas vagas do Acre no Senado. Foi eleito com 185.066 votos, equivalentes a 23,28% dos votos válidos. A outra vaga ficou com Sérgio Petecão (PSD). O resultado deixou de fora o então senador Jorge Viana (PT), que buscava a reeleição.
Bittar assumiu o mandato em fevereiro de 2019. No Senado, aproximou-se do governo de Jair Bolsonaro e ganhou projeção nacional principalmente em discussões econômicas e orçamentárias. Em 2021, foi relator-geral do Orçamento da União, função que o colocou no centro das negociações entre o governo federal e o Congresso sobre receitas e despesas previstas para aquele ano.
Nova tentativa
Mesmo no meio do mandato de senador, Bittar decidiu voltar à disputa pelo Executivo acreano em 2022. Filiado ao União Brasil, lançou candidatura ao governo tendo Georgia Micheletti como vice. Terminou a eleição em quinto lugar, com 4.773 votos, ou 1,12% dos votos válidos. Gladson Cameli (PP) foi reeleito no primeiro turno, com 56,75%.
Bittar permaneceu no Senado após a eleição e, posteriormente, deixou o União Brasil para ingressar no PL, partido de Jair Bolsonaro. A filiação consolidou uma mudança política construída ao longo de décadas: o antigo militante do PCB passou a integrar um dos principais partidos da direita brasileira.
Segundo mandato
Em 2026, Márcio Bittar disputa a reeleição para o Senado pelo PL. O Acre terá duas vagas em disputa, já que dois terços da Casa serão renovados neste ano.
Aos 63 anos, ele chega à eleição com mais de três décadas de experiência em cargos eletivos e disputas majoritárias. Além do atual mandato de senador, seu histórico inclui um mandato de deputado estadual e dois períodos na Câmara dos Deputados, além das três candidaturas ao governo acreano.
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