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Após acusação de Flávio, CNBB nega participação em fake news sobre Nossa Senhora Aparecida

Candidato afirmou que pessoas ligadas à entidade ajudaram a disseminar boato sobre Nossa Senhora Aparecida; Conferência diz que não integra estruturas partidárias

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Após acusação de Flávio, CNBB nega participação em fake news sobre Nossa Senhora Aparecida Marcos Santos/USP Imagens

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou neste domingo (27) qualquer participação na produção ou disseminação de informações falsas relacionadas às eleições de 2026. A manifestação ocorre em meio à repercussão de uma declaração do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que acusou pessoas de dentro da entidade de colaborar com a divulgação do boato de que ele pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Durante um evento de campanha em Goiás, o senador afirmou que o PT vinha tentando disseminar a informação e contou com a colaboração de integrantes da instituição religiosa.

“A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu. Não tem projeto. Não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB”, declarou Flávio.

Em nota de esclarecimento, a Conferência rejeitou qualquer envolvimento com a disseminação de desinformação eleitoral. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirmou. A entidade acrescentou que repudia a utilização de notícias falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.

A instituição também ressaltou que não integra partidos ou candidaturas e que suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral, orientada por princípios como dignidade humana, democracia e liberdade de consciência.

“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, declarou.

A nota não menciona nominalmente Flávio Bolsonaro nem identifica os responsáveis pelas acusações. Ao final, a Conferência reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.

Entenda a polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

A controvérsia começou com a circulação de uma informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A narrativa ganhou força nas redes sociais na quinta-feira (24) e provocou preocupação na campanha do senador, especialmente pela repercussão entre eleitores católicos.

A história tem relação com um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que tratava da alteração do título concedido à santa. A proposta foi arquivada em 2008 e não foi apresentada por Flávio Bolsonaro.

Na sexta-feira (25), a campanha acionou a Justiça Eleitoral para tentar conter a circulação do conteúdo. A defesa também apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral, com pedido de prisão preventiva de George Marques, servidor da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, acusado de incentivar a disseminação do boato.

O episódio também provocou uma disputa judicial entre os ministros André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça determinou a retirada de publicações que reproduziam a narrativa, incluindo uma postagem do humorista Antonio Tabet. Neste domingo, Dino derrubou a determinação e ordenou o restabelecimento dos conteúdos, com fundamento na liberdade de expressão e religiosa.

A decisão provocou uma reação da campanha de Flávio. O coordenador da candidatura, senador Rogério Marinho (PL-RN), acusou Dino de interferência eleitoral e de criar uma “jurisprudência de conveniência” para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe jurídica também questionou a competência do STF para derrubar a ordem da Justiça Eleitoral.

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