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Bruno Pinheiro

Entorno de Mendonça esperava trégua, mas vê nova tensão no STF antes da eleição

O acúmulo de petições sobre questões eleitorais também tem surpreendido integrantes mais antigos da corte

Bruno Pinheiro

Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) CHARLES SHOLL / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Auxiliares de André Mendonça esperavam uma reta final de campanha menos turbulenta no Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro de determinar a remoção de conteúdos sobre Nossa Senhora associados a Flávio Bolsonaro, porém, abriu uma nova disputa na corte. A reação de Flávio Dino, que derrubou a ordem do colega, surpreendeu o entorno de Mendonça.

Segundo apuração da Jovem Pan, pessoas próximas ao ministro, que também é vice-presidente do TSE, acreditavam que a proximidade da votação favoreceria uma redução dos atritos. A sequência de decisões e ofícios no Supremo contrariou essa expectativa.

O acúmulo de petições sobre questões eleitorais também tem surpreendido integrantes mais antigos da corte. Nos bastidores, chama atenção a apresentação desses pedidos em ações que já tramitam no STF e têm relator definido, em vez da abertura de novos processos.

Interlocutores ouvidos pela Jovem Pan lembram que Mendonça e Nunes Marques também mandaram retirar publicações que associavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, a facções criminosas ou continham ataques à sua honra. Na avaliação desses auxiliares, aquelas decisões não mobilizaram a militância nem tiveram repercussão semelhante à do caso Nossa Senhora.

Pessoas próximas aos magistrados sustentam que, embora a publicação do ator mencione milicianos sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, o contexto permite associá-la ao candidato. Para esses interlocutores, a mensagem se insere em uma sequência de críticas à família Bolsonaro e de tentativas de vincular o candidato às milícias do Rio de Janeiro.

A discussão prevista para esta quarta-feira (30), no entanto, não deve ocorrer. A pauta divulgada pela assessoria do STF no início da noite desta terça-feira (29) não inclui a análise da decisão de Dino, que deverá ser examinada pelo plenário.

Nos bastidores, o presidente do Supremo, Edson Fachin, tem sondado os colegas e identificado falta de ambiente para discutir o tema antes das eleições de domingo, 4 de outubro. O movimento repete a interlocução adotada em outros momentos de tensão nas últimas semanas.

Ao completar um ano na presidência da corte, Fachin enfrenta novamente a tarefa de administrar divergências e baixar a temperatura entre os ministros às vésperas da votação.

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