Ato pró-democracia no Planalto mistura tom institucional e clima de campanha
Um ato em defesa da democracia promovido pelo governo federal no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (8) assumiu contornos de campanha eleitoral, com discursos voltados à base aliada e a presença de bandeiras de partidos de esquerda e sindicatos. O evento, que reuniu ministros, parlamentares, governadores, militares e membros do Judiciário, foi marcado pelo coro de “sem anistia” puxado pela plateia no segundo andar do palácio.
Enquanto no interior do Planalto a cerimônia buscava um ar institucional, do lado de fora, na Praça dos Três Poderes, a mobilização lembrava um comício, com bandeiras do PT, PCdoB, PSOL e de centrais sindicais. A dualidade deu o tom do que aliados avaliam ser o principal ativo do governo na campanha eleitoral deste ano: a defesa da democracia e do Estado de Direito.
A leitura política do ato ficou evidente com as ausências do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ambos, ligados ao Centrão, não compareceram. Segundo aliados, o evento foi entendido como um ato político e não institucional, o que inviabilizou a participação dos presidentes das duas Casas, principalmente em um ano eleitoral.
Motta e Alcolumbre estão à frente de legendas cujas bancadas se dividem entre alas lulistas e bolsonaristas. A ausência é vista como uma tentativa de evitar associação direta com um evento de claro apelo eleitoral e de base do governo Lula.
A mensagem direta foi a condenação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e a defesa das urnas eletrônicas.
O coro de “sem anistia”, entoado por políticos e autoridades presentes, ecoou no salão nobre e reforçou a posição do governo contra qualquer medida que possa beneficiar investigados ou condenados pelos atos de extremismo político.
A opção por realizar o ato no Planalto, e não em local neutro, e a composição da plateia indicam que o governo decidiu transformar a defesa da democracia em bandeira eleitoral explícita. A ausência dos presidentes do Legislativo expõe as limitações do discurso de união nacional em um ano marcado pela polarização.
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