Parlamentares querem CPMI para desvendar o que nem o celular de Vorcaro mostrou
A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira (7) reforçou o apetite da oposição por uma investigação parlamentar mais ampla sobre o caso Master. Para parlamentares ouvidos pela Jovem Pan, o conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, por mais revelador que tenha sido, é apenas a ponta do iceberg. Em caso de instalação da CPMI, a intenção é avançar sobre o que as investigações criminais ainda não alcançaram.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ex-relator da CPI do Crime Organizado, avalia que a resistência à comissão já estava em curso antes mesmo da operação desta quinta. “Não mais do que já estava travada. Já estavam atuando nesse sentido”, afirmou.
Na Câmara, o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), mira a base governista e cobra investigação sem exceções. “A oposição quer investigação e que todos os culpados paguem pelos seus crimes. Em especial o ministro da Suprema Corte e as pessoas aliadas ao governo Lula. Lula recebeu o mafioso de forma clandestina e quem tiver envolvido que pague, pague caro”, disse.
O requerimento de criação da CPMI, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), já conta com 239 deputados e 42 senadores signatários. A comissão, no entanto, segue sem data para ser instalada. Entre os ausentes na lista de assinaturas está o próprio Ciro Nogueira, alvo da operação desta quinta e investigado por suposta atuação em favor do banqueiro em troca de vantagens econômicas indevidas.
Jordy prevê pressão dupla
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento de instalação da CPMI do Banco Master e do mandado de segurança impetrado no STF para forçar a abertura da comissão, avalia que a operação contra o senador Ciro Nogueira vai aumentar a pressão nos dois sentidos: tanto para tentar barrar a investigação parlamentar quanto para instalá-la.
O que alimenta a esperança da oposição é o sorteio ocorrido na véspera da operação. O ministro André Mendonça, do STF, foi escolhido na quarta (6) como relator do mandado de segurança que pede a instalação da CPMI contra o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. O mesmo Mendonça que assinou a decisão que autorizou a operação contra Ciro Nogueira e que já era relator das investigações criminais do caso Master desde fevereiro.
Na petição, os parlamentares argumentaram que a ação deveria ficar com Mendonça justamente para evitar conflitos entre decisões do STF e uma eventual apuração parlamentar. O mandado de segurança, protocolado em março, pede liminar para obrigar a convocação de sessão conjunta do Congresso e permitir a abertura da comissão, sob o argumento de que Alcolumbre evitava convocar sessões para não ser obrigado a ler o requerimento.
A conjuntura, no entanto, é delicada. Na semana passada, durante a sessão que derrubou o veto de Lula ao projeto da dosimetria, nenhum parlamentar do PL pediu a Alcolumbre que fizesse a leitura do requerimento da CPMI.
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Bruno Pinheiro
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