PF mira família Vorcaro; vice-líder do governo pede depoimento da irmã do banqueiro na CPMI
O deputado federal e vice-líder do governo, Rogério Correia (PT-MG), afirmou nesta quarta-feira (14) que as conexões no caso Banco Master “estão escancaradas”, após a Polícia Federal cumprir a segunda fase da Operação Compliance Zero. A ação teve como alvos o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e parentes como seu pai, sua irmã e seu cunhado.
“Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e Natália Vorcaro formam um mesmo núcleo familiar, empresarial e religioso, com atuação na Igreja da Lagoinha e relações com o sistema financeiro”, disse Correia. O parlamentar anunciou que enviará requerimento para ouvir Natalia Vorcaro, alvo das buscas. “Na CPMI do INSS já apresentei requerimento para ouvir Vorcaro, também convocamos Zettel, e agora vou apresentar requerimento para convocar Natália Vorcaro. O Brasil precisa de respostas. Onde há tantas ligações, há interesse público.”
A operação, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no banco, também teve como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. A PF apura captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. Celulares, incluindo o do banqueiro, foram apreendidos.
Correia vinculou o escândalo a figuras da oposição. “Nova operação da PF atinge em cheio pastores da Igreja da Lagoinha, em BH, apoiadores e financiadores do bolsonarismo e de políticos da extrema direita, como Nikolas Ferreira. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é pastor e atua no mesmo entorno de André Valadão, integrando conexões entre igreja, bolsonarismo e negócios suspeitos, inclusive envolvendo empréstimo consignado do INSS. Nada disso é coincidência. As ligações estão vindo à tona.”
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi detido brevemente no aeroporto de Belo Horizonte ao tentar embarcar para Dubai. Nelson Tanure foi localizado no Aeroporto do Galeão, no Rio, e também teve seu celular apreendido.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro, após suspeitas de fraude em negócio com o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões. O caso, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerou potencialmente a “maior frauda bancária” do país, tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Bruno Pinheiro
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