Em 1990, a eliminação precoce do Brasil abriu caminho para a Argentina chegar à final
Na última coluna do “Memória da Pan”, destaquei que a seleção de 1994 aprendeu com os erros de 1990. Naquele ano, na Itália, a equipe nacional ficou apenas em nono lugar, um fracasso retumbante para uma das favoritas ao título. Apesar de três vitórias na primeira fase, Suécia (2×1), Costa Rica (1×0) e Escócia (1×0), o Brasil foi eliminado pela Argentina nas oitavas de final. Uma queda precoce para um tricampeão do mundo.
Aos trancos e barrancos, os argentinos, capitaneados por Maradona e que também contava com a estrela de Caniggia, chegaram na final contra a Alemanha. A decisão foi fraca tecnicamente, mas prevaleceu a melhor organização dos germânicos:
ALEMANHA 1 × 0 ARGENTINA – Roma – 08.07.90
Alemanha: Illgner; Augenthaler, Berthold (Reuter), Kohler, Buchwald, Brehme; Hässler, Matthäus, Littbarski; Klinsmann e Völler.
Técnico: Franz Beckenbauer
Argentina: Goycochea; Simon, Serrizuela, Ruggeri (Monzón), Troglio; Sensini, Burruchaga (Calderón), Basualdo, Lorenzo; Dezotti e Maradona.
Técnico: Carlos Bilardo
Árbitro: Edgardo Codesal Mendez (México).
Gol: Brehme (40) no segundo tempo.
O jogo foi ruim e violento por parte dos argentinos. Monzon e Dezotti foram expulsos, enquanto Troglio e Maradona levaram cartão amarelo. O árbitro mexicano Edgardo Codesal Mendez marcou um pênalti duvidoso em favor da Alemanha aos 40 minutos do segundo tempo. Brehme chutou no canto direito de Goycochea e garantiu o placar magro da partida: 1 a 0.
A Alemanha conquistou, na época, o terceiro título mundial, repetindo 1954 e 1974. O capitão Lothar Matthäus, eleito o melhor da Copa, levantou a taça. Já Franz Beckenbauer se tornou o segundo ex-jogador da história a ser campeão mundial como treinador. Capitão da Alemanha na conquista de 1974, ele repetia Zagallo, campeão dentro de campo, em 1958 e 1962, e como técnico em 1970.
A manchete do caderno de esporte da Folha de S.Paulo do dia seguinte foi: “Alemanha chega ao tri e consagra Beckenbauer”. A imagem que correu o mundo foi a de Maradona chorando copiosamente. Na opinião dele, os árbitros prejudicaram a seleção argentina ao longo do mundial. No momento em que foi receber a medalha de vice-campeão, Diego se recusou a cumprimentar o presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange. O camisa 10 revelava o desafeto que tinha pelo cartola. Ainda no texto da Folha, a menção aos desfalques na Argentina: “Beckenbauer se consagrou ao colocar sua equipe no ataque, disposto a decidir o jogo logo em seu início, como fez durante toda a Copa. A Bilardo, sem alternativas para suprir a ausência de quatro jogadores suspensos (Olarticoechea, Batista e Caniggia com dois cartões amarelos e Giusti, expulso na semifinal contra a Anfitriã Itália), restou a retratação à espera de um golpe de sorte ou da disputa em pênaltis.”
continue lendo
Futebol Internacional
Promotoria pede até 12 anos de prisão para equipe que cuidava de Maradona
Os três médicos foram acusados de homicídio com dolo eventual
- Dia exato do retorno de Charles Miller ao Brasil, em 1894, ainda é lacuna na historiografia Thiago Uberreich · há 19 horas
- Didi ‘folha seca’, que completaria 98 anos hoje, ameaçou levar a campo a rivalidade com Di Stéfano, na Copa de 1962 Thiago Uberreich · há 2 dias
- Em 1970, autoridades e jornalistas assistiram aos jogos da seleção na Copa em quatro TVs em cores, no Edifício Itália, em SP Thiago Uberreich · há 3 dias
- Em 1966, Nelson Rodrigues exagerava nas palavras ao comparar a derrota brasileira de 1950 à ‘Hiroshima’ Thiago Uberreich · há 4 dias