Ouro dividido, desistência de Biles e notas polêmicas: Os 10 momentos mais marcantes das Olimpíadas

A prata de Rayssa Leal, o inesperado novo homem mais rápido do mundo e a superação da holandesa Sifan Hassan também figuram entre as grandes histórias dos Jogos

  • Por Guilherme Strabelli
  • 08/08/2021 16h00
Franck Ronichon/EFE - 02/08/2021O catari Mutaz Essa Barshim (à esq.) e o italiano Gianmarco Tamberi dividem o primeiro lugar no pódio

As disputas dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 chegaram ao fim neste domingo, 8. Esta edição rendeu um novo recorde de pódios para o Brasil, que conquistou 21 medalhas, sete ouros, seis pratas e oito bronzes, superando a marca de 19 pódios na Rio-2016. Entretanto, não foram apenas as conquistas que marcaram as Olimpíadas da capital japonesa. Em clima de retrospectiva, a Jovem Pan separou dez momentos marcantes, históricos e inusitados dos Jogos de 2020. Cenas como a atleta que caiu e, mesmo assim venceu sua prova, a desistência de Simone Biles, as belas performances de Rebeca Andrade e o ouro dividido no salto em altura. Confira:

1. Rayssa Leal se torna a medalhista mais jovem do Brasil

Rayssa Leal, representante do Brasil na final do skate street feminino, fez história ao ganhar a medalha de prata na grande decisão dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Fadinha, como é conhecida, era a atleta mais nova da delegação brasileira, com apenas 13 anos. Ela até cometeu alguns erros, mas teve excelentes performances e conquistou boas pontuações, ficando atrás apenas da japonesa Momiji Nishiya, dona do ouro. Funa Nakayama, também do Japão, terminou em terceiro. Com o feito, Rayssa também tornou-se a esportista mais jovem a conquistar uma medalha para o país. 

Rayssa Leal, de boné azul e unhas pintadas de diferentes cores, estende a mão direita e exibe a medalha de prata, que aparece em primeiro plano na imagem

Rayssa Leal, de 13 anos, é a mais jovem medalhista olímpica da história do Brasil

2. Simone Biles fora das disputas individuais

Considerada uma das principais estrelas dos Jogos, Simone Biles enfrentou problemas durante as provas da ginástica artística, abandonando a disputa por equipes e abrindo mão de sua vaga nas finais do individual geral, solo, salto e barras assimétricas. Ao explicar sua decisão, a ginasta afirmou que precisa focar no cuidado com a sua saúde mental. Na única final que disputou, na trave de equilíbrio, Biles levou a medalha de bronze.

3. Holandesa cai, mas consegue se recuperar e vence bateria

A atleta Sifan Hassan, da Holanda, protagonizou um episódio inusitado em uma das eliminatórias dos 1.500 m feminino do atletismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Isso porque, por volta dos 400 m do percurso, Hassan acabou tropeçando na corredora queniana Edina Jebitok, do Quênia, e caiu no meio da prova. Entretanto, ela conseguiu se levantar, recuperar o tempo perdido e vencer a bateria. No último dia de disputas do atletismo, a holandesa conquistou a medalha de bronze na prova.

4. Medalhas inéditas na ginástica feminina

A participação do Brasil na ginástica artística feminina foi a melhor da história dos Jogos. Isso porque a ginasta Rebeca Andrade conquistou as primeiras duas medalhas femininas da categoria na história. Primeiro, veio a prata na competição do individual geral. Depois, a brasileira levou o ouro no salto. Ao som de “Baile de Favela”, sucesso de MC João, ela ainda terminou em quinto lugar na competição do solo. Com isso, Rebeca se tornou um dos maiores nomes do esporte brasileiro.

5. Ouro dividido no salto em altura

O italiano Gianmarco Tamberi e o catari Mutaz Essa Barshim protagonizaram um momento histórico nos Jogos de Tóquio ao dividirem a medalha de ouro no salto em altura. O feito aconteceu depois que os dois alcançaram o mesmo resultado e viram a arbitragem oferecer a chance do empate em vez de prolongar a disputa. Isso havia acontecido pela última vez há 113 anos, nos Jogos de Londres 1908. A decisão foi bastante comemorada pelos dois atletas, que são bem próximos fora das pistas. Eles subiram ao pódio juntos e puderam contabilizar o ouro para seus países.

Com as mãos erguidas e dadas, o O catari Mutaz Essa Barshim (à esquerda) e o italiano Mutaz Essa Barshim dividem o primeiro lugar no pódio

O catari Mutaz Essa Barshim (à esq.) e o italiano Gianmarco Tamberi dividem o primeiro lugar no pódio

6. Djokovic perde bronze e desiste da disputa de duplas

O tenista sérvio Novak Djokovic teve um fim melancólico nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Depois de ser derrotado pelo alemão Alexander Zverev na semifinal do individual, ele perdeu a disputa pelo bronze para o espanhol Pablo Carreno Busta por 2 sets a 1. Decepcionado com o próprio desempenho, desistiu de brigar pelo terceiro lugar nas duplas mistas, categoria em que jogaria ao lado da compatriota Nina Stojanovic diante dos australianos Barty e Peers, que ganharam por WO. O curioso é que Djoko havia caçoado da desistência de Simone Biles antes de abandonar as Olimpíadas. “Pressão é privilégio. Se você quer estar no topo, tem de aprende a lidar com ela”, disse o sérvio.

7. Ouro inesperado para a Tunísia

O nadador da Tunísia Ahmed Hafnaoui, de 18 anos, surpreendeu e conquistou o ouro na prova dos 400 metros livre masculino nos Jogos de Tóquio. A prova foi disputada no fim da noite do último dia 24, no Centro Aquático da sede dos Jogos. Hafnaoui concluiu a prova com o tempo de 3:43.36, conquistando a melhor marca da categoria. Jack McLoughlin, da Austrália, ficou com a prata e Kieran Smith, dos Estados Unidos, finalizou o pódio.

8. Protesto no atletismo

A atleta Raven Saunders, integrante da equipe feminina de arremesso de peso dos Estados Unidos e conhecida nas redes sociais como Mulher-Hulk, subiu ao pódio após ter levado a medalha de prata na modalidade e protestou ao levantar os punhos em forma de X. Ela é conhecida por ser lésbica e militar a favor das causas LGBTQIA+. De acordo com Sanders, o ato aconteceu em prol dos oprimidos, dentro e fora do esporte. O X significa que esse é o local onde os oprimidos se encontram. Também houve protestos no futebol feminino. Jogadores das seleções de Grã-Bretanha, Chile, Estados Unidos, Suécia e Nova Zelândia se ajoelharam em manifestações contra o racismo.

9. Zebra italiana nos 100 m

Pela primeira vez desde 2004, a prova mais nobre dos Jogos Olímpicos não teve a presença do jamaicano Usain Bolt, ouro nas três vezes em que disputou os 100 m rasos (Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). Antes da corrida, ninguém apostava em Lamont Marcell Jacobs, nem ele mesmo: questionado após a vitória se a esperava, foi sincero: “Não”. Mas o novo homem mais rápido do mundo assombrou o planeta com um desempenho fantástico e colocou a Itália no lugar mais alto do pódio dos 100 m pela primeira vez. Depois, ainda ajudou o país a conquistar uma inesperada vitória no revezamento 4×100. Nascido em El Paso, no Texas, Jacobs é filho de pai americano e mãe italiana, mas mal fala inglês. Quando tinha cinco anos, dona Viviane deixou o marido, voltou para a Bota e levou o filho junto. Criou-o sozinho e sempre disse a ele: “Um dia, você será tão bom quando Bolt”.

10. Polêmica nas notas

Logo nos primeiros dias de competição, um dos assuntos mais comentados das Olimpíadas foi as notas dadas pelos juízes aos brasileiros no skate e no surfe. O caso mais emblemático envolveu o surfista Gabriel Medina, que acabou ficando de fora da final após uma decisão vista como polêmica pelos brasileiros. Muitos torcedores e alguns especialistas acreditam que o juri foi generoso com o surfista da casa Kanoa Igarashi. Na disputa do skate, seja na categoria street ou na park, as avaliações dos skatistas brasucas também desagradaram, especialmente as envolvendo Rayssa Leal (street feminino) e Luiz Francisco (park masculino). Mesmo com as reclamações, o Brasil conseguiu levar o ouro no surfe, com Ítalo Ferreira, e três pratas no skate.