Após ser detido, embaixador britânico nega participação em protestos contra governo iraniano
O embaixador do Reino Unido em Teerã, Rob Macaire, foi preso durante um protesto contra o governo iraniano e permaneceu detido por mais de uma hora, informou neste sábado (11) o Ministério das Relações Exteriores britânico, que repudiou o ocorrido.
“A prisão do nosso embaixador em Teerã sem motivo nem explicações é uma flagrante violação da legislação internacional”, afirmou em comunicado o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab.
O chanceler britânico declarou que o governo iraniano “se encontra neste momento em uma encruzilhada”.
“Pode continuar em direção ao status de pária, com todo o isolamento político e econômico que isso implica, ou reduzir as tensões e adotar um caminho diplomático de progresso”, comentou.
A mídia oficial iraniana informou que Macaire foi preso por suspeita de “organizar, provocar e dirigir ações radicais” e indicou que ele será convocado pela Chancelaria iraniana, que disse que está aguardando o relatório da polícia.
O embaixador negou que tenha participado do protesto e disse que foi em um evento “anunciado como uma vigília para as vítimas da tragédia #PS752”, voltada para as 176 vítimas do avião ucraniano que foi abatido “involuntariamente” pelo Irã.
Dentre os mortos, três eram britânicos. “Saí depois de cinco minutos, quando alguns começaram a cantar palavras de ordens”, justificou Macaire.
Protestos
No sábado, centenas de pessoas se reuniram na porta da Universidade de Tecnologia Amir Kabir para acender velas em homenagem aos mortos, mas a vigília logo resultou em um protesto contra as autoridades iranianas.
A polícia acabou dispersando a multidão que gritava palavras de ordens como “a renúncia (dos responsáveis) não é suficiente, um julgamento é necessário” ou “Morte ao ditador”, em referência ao líder supremo, Ali Khamenei.
Nesse contexto, Macaire foi preso “meia hora depois de deixar a área”, disse o próprio embaixador, lembrando que a prisão de diplomatas é “ilegal em todos os países”.
Ontem, o Irã admitiu no sábado derrubou por “engano” o avião ucraniano, confundindo-o com um “míssil de cruzeiro”.
* Com EFE
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