Primeiro caso em fevereiro e pico em julho: relembre o avanço da Covid-19 no Brasil

Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, país fechou ano com tendência de alta; no primeiro dia de janeiro, ultrapassou marca de 195 mil mortes

  • Por Guilherme Strabelli
  • 01/01/2021 22h54 - Atualizado em 02/01/2021 01h37
Robson Rocha/Agência Estado - 10/05/2020Imagem do cemitério da Vila Formosa rodou o mundo após mostrar jazigos para vítimas da Covid-19

No dia 26 de fevereiro, foi registrado o primeiro caso de infecção o novo coronavirus (Sars-Cov-2) no Brasil. O paciente era um morador de São Paulo que havia retornado recentemente da Itália, onde o crescimento do número de casos da doença assustava o mundo. Desde então, o coronavírus se espalhou rapidamente, transformando o país no segundo com mais mortes e no terceiro com mais casos da Covid-19. Um breve momentos de queda motivou a flexibilização da quarentena e a retomada do funcionamento restritivo de estabelecimentos como shoppings, bares e academias, mas o Brasil fechou 2020 com tendência de alta no avanço da doença e abriu o novo ano com notícias nada animadoras. Com 465 mortes em 24 horas e 23.081 novos casos, ultrapassou a marca de 195 mil óbitos (exatos 195.441) nesta sexta-feira, 1º. Relembre, nesta reportagem especial, como o vírus avançou de fevereiro do ano passado até agora.

Primeiros casos e quarentena

Após a notificação do primeiro caso da doença, em 26 de fevereiro, o Brasil registrou apenas uma nova infecção até o fim daquele mês. Assim como o primeiro infectado, o segundo paciente também testou positivo em São Paulo após retornar da Itália. A situação começou a piorar na primeira quinzena de março, quando o número de casos começou a aumentar rapidamente, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia do novo coronavírus. No dia 17 de março, o Brasil lamentou a primeira morte causada pela doença: um homem de 62 anos, com histórico de diabetes e hipertensão. Vivendo o crescimento da Covid-19, o país terminou o mês de março com 5.717 casos e 201 mortes. Estados começaram a decretar quarentena e outras medidas de restrição, contrariando o governo federal. Competições esportivas foram paralisadas. Dentre as vítimas, estava a maestrina Naomi Munakata, regente titular do Coral Paulistano Mário de Andrade.

Praias, calçadão e ruas parcialmente vazias no Rio de Janeiro

Avanço da doença e problemas políticos

Nos meses seguintes, o país presenciou um forte avanço. Apenas em abril, foram registrados quase 80 mil novos casos, além de 5.700 novas mortes. Simultaneamente, a crise política envolvendo o Ministério da Saúde ganhava mais força, o que levou à demissão do então ministro Luiz Henrique Mandetta em 16 de abril. O oncologista Nelson Teich foi chamado para assumir a vaga, porém ficou no cargo por menos de um mês, deixando-o em 15 de maio, após desavenças com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Neste período, a doença continuou avançando e fazendo vítimas. Dentre elas, o compositor Aldir Blanc, que morreu em 4 de maio após complicações causadas pela doença. Ao fim do mês, o país já registrava 514.200 casos e 29.314 mortes, 23 mil a mais do que no fim de abril.

Após a saída de Teich, o general Eduardo Pazuello assumiu o posto de ministro interino da Saúde (só seria efetivado em setembro). Neste cenário, o Brasil continuou vivendo um período de alta no número de casos e mortes. No dia 19 de junho, ultrapassou a marca de 1 milhão de infectados pelo novo coronavírus. Naquele mês, o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac para produzir o vacina Coronavac. Ao mesmo tempo, mesmo com a tendência de alta, São Paulo e outros estados começaram planos de flexibilização da quarentena e reabertura das atividades. Ao fim do mês, o Brasil somava 30.289 mortes, elevando o total para 59.594, e 887 mil novos casos (1,4 milhão de infeectados ao todo).

Jair Bolsonaro cumprimenta Eduardo Pazuello após efetivar o general no Ministério da Saúde

Curva com pico e princípio de queda

O pico da pandemia no Brasil aconteceu durante julho, quando diversas atividades já haviam sido retomadas pelo país. Em 31 dias, foram registrados 1.260.444 casos e 32.881 mortes causadas pela Covid-19, fazendo do julho o mês com mais infecções e óbitos de 2020. Dentre as vítimas da doença, estava o jornalista esportivo Rodrigo Rodrigues, que morreu em 25 de julho, depois de ter desenvolvido uma trombose venosa cerebral. Ao fim daquele mês, o Brasil somava 2.662.485 casos e 92.475 mortes causadas pela Covid-19. Entretanto, após um período duro, agosto começou a dar sinais de uma diminuição no ritmo de contágio. Foram registradas 28.906 mortes, 3.975 a menos em comparação ao mês anterior, e 1.245.787 infecções, 14.657 a menos do que em julho. Morto no dia 5 daquele mês, o ator Gésio Amadeu foi mais uma das vítimas.

O jornalista Rodrigo Rodrigues foi uma das vítimas da Covid-19 no Brasil

Calmaria e novo crescimento

Nos meses seguintes, a tendência de queda foi mantida. Em setembro, por exemplo, foram registradas 22.581 mortes e 901.804 casos da Covid-19. Ao mesmo tempo, as flexibilizações nas grandes cidades do país aumentaram. Simultaneamente, a movimentação do governo federal e de estados por vacinas rlrvou as expectativas. Em outubro, o Brasil registrou uma nova queda no avanço da doença, com 725.384 casos e 15.921 mortes. A situação apontava para um fim de ano tranquilo. Entretanto, novembro indicava o que viria pela frente. Apesar de terem sido registradas 13.237 mortes, 2.684 a menos do que em outubro, o número de casos voltou a crescer, em especial na segunda metade do mês. Ao todo, foram contabilizados 800.418 casos da Covid-19, número similar ao de junho, quando o país ainda caminhava para o pico. Em meio a esse cenário, dezembro se tornou o pior mês da pandemia desde setembro, registrando 20.038 mortes por Covid-19 ao longo de 31 dias. O Brasil fechou 2020 com 7.675.973 casos e 194.949 mil mortes. Dentre as vítimas fatais de dezembro estão os cantores Paulinho, do grupo Roupa Nova, e Ubirany, do grupo Fundo de Quintal, além das atrizes Christina Rodrigues e Nicette Bruno.

Em lançamento de plano nacional de vacinação, Bolsonaro aparece com o personagem Zé Gotinha