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Política

Valdemar diz ter desaprovado carta de Flávio Bolsonaro: ‘Não gostei’

Declaração do presidente do PL foi dada em frente ao condomínio do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde o capitão da reserva cumpre prisão domiciliar

Nícolas Robert e Beatriz Souza

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL)
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, disse nesta quinta-feira (29) não ter gostado da carta de teor golpista divulgada pelo senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Na mensagem, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se autointitula “líder do Brasil”.

“Não gostei”Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao chegar no condomínio de Bolsonaro

O encontro entre Valdemar e Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a petição, os advogados do ex-presidente afirmavam que o encontro era necessário para um “diálogo direto” com o capitão da reserva.

A conversa entre dois dos principais nomes do PL acontece em meio a um momento turbulento vivido pelo partido. No domingo (25), Flávio Bolsonaro foi derrotado pelo presidente Lula (PT), no segundo turno das eleições presidenciais. O atual chefe do Executivo recebeu 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões do senador, que obteve 48,21%.

Dois dias depois de ser derrotado legitimamente pelo voto popular, Flávio fugiu do Brasil e desembarcou nos Estados Unidos na manhã dessa quarta-feira (28). Ele chegou em Miami, na Flórida, acompanhado pela esposa e pelas duas filhas, depois de a aeronave em que estavam fazer escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou o caminho que Flávio e família fizeram para chegar aos EUA. De acordo com o órgão, o senador atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27).

Ainda segundo a instituição argentina, os quatro apresentaram documentos válidos e não encontraram impedimentos legais para ingressar no país. Depois da travessia, a família seguiu para o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, de onde embarcou em um avião particular.

Carta de teor golpista

Nessa quarta-feira, Flávio Bolsonaro divulgou algumas cartas “ao povo brasileiro e à comunidade internacional” com versões diferentes. Na primeira, o senador se referia como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Já em uma mensagem posterior, compartilhada nas redes sociais, o parlamentar se autointitulava de “líder do Brasil”.

Em outro trecho, Flávio reiterava ser o “presidente eleito”. Minutos depois, na versão compartilhada nas redes sociais, o senador chamava-se de “líder”.

A carta não foi bem aceita por aliados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou, em nota, que entende a revolta pela derrota do senador, mas que a eleição acabou e é preciso “respeitar o resultado das urnas”.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente“Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

Tarcísio continuou dizendo que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”, que seja capaz de exercer seu papel na Câmara dos deputados e no Congresso Nacional contra o governo Lula. “É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia”, finalizou.

Em vídeo publicado na terça-feira, Tarcísio já havia aceitado o resultados das urnas e afirmado que, apesar do resultado, “o Brasil continua”.

À Jovem Pan, fontes do PL dizeram que não estavam cientes sobre a carta e que o partido não tem nenhuma relação com a divulgação da manifestação de Flávio.

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