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Política

Em vídeo, Tarcísio diz que ‘eleição passou, mas o Brasil continua’

Governador de São Paulo agradeceu aos eleitores do candidato do PL e disse que, apesar do resultado, 'falta de confiança continua'

Júlia Lara e Beatriz Manfredini

Tarcísio de Freitas, governador de SP
Tarcísio de Freitas, governador de SP RONALDO SILVA/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se pronunciou pela primeira vez nesta terça-feira (27), após o resultado das eleições. Ele agradeceu aos eleitores de Flávio Bolsonaro e afirmou que apesar da eleição ter passado, “o Brasil continua”.

Ele afirmou que, apesar de reconhecer o resultados das eleições, a falta de confiança continua. “Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos. A eleição passou mas a falta de confiança fica.”

Tarcísio disse ainda que o Congresso terá um papel fundamental “na pacificação do país”. “Agora é hora de uma unidade, de oposição vigilante que cobre responsabilidade fiscal e proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos”, afirmou.

No domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por 51,79% contra 48,21% de Flávio Bolsonaro e foi reeleito por mais quatro anos a presidente da República.

Tarcísio encontrou Flávio

O governador de São Paulo, já havia se reunido com Flávio no início da tarde de segunda-feira (26), um dia após a derrota do parlamentar na disputa pela Presidência da República. A conversa ocorreu no escritório dos advogados da campanha de Flávio, antes de Tarcísio embarcar de volta para São Paulo e depois de a Polícia Federal intimar que Flávio entregasse seu passaporte.

Segundo interlocutores ouvidos pela coluna, o governador aconselhou novamente o senador a manter cautela e calma diante do resultado eleitoral. A recomendação já havia sido feita no domingo, durante uma reunião entre os dois após a mudança no cenário da apuração, quando Tarcísio pediu que Flavio reconhecesse a apuração das urnas.

Pessoas próximas a Tarcísio afirmam que o governador deve reconhecer a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de considerar equivocada a decisão tomada na noite de domingo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. A estratégia, segundo aliados, é manter o distanciamento de discursos radicais, postura que o governador já adotou em outras ocasiões, sem contradizer Flávio publicamente. A avaliação é que um confronto aberto poderia gerar atritos com o senador e com o bolsonarismo.

Pessoas próximas consideram que o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro será um dos principais desafios de Tarcísio daqui para frente. Aliados avaliam que o governador ganhou força como nome da direita para a eleição presidencial de 2030, mas reconhecem que ele precisará definir como lidar com a família Bolsonaro e com sua base de apoiadores.

Nos bastidores, a avaliação é que Tarcísio terá de buscar o apoio dos Bolsonaros para viabilizar uma eventual candidatura ou construir um caminho que lhe permita se distanciar do grupo sem provocar um rompimento.

Flávio não reconhece resultado

O senador disse no domingo ser “impossível reconhecer o resultado das eleições”. O parlamentar foi superado, em virada histórica, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele. Muda a regra do jogo no meio do jogo”, declarou Flávio.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou, na tarde deste domingo, a prorrogação da votação em duas horas. O horário oficial de fechamento das urnas é às 17h (horário de Brasília). Posteriormente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, seguiu a decisão.

“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se, em um estado em que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, afirmou.

Flávio afirmou que sua equipe pedirá a anulação das eleições. O senador disse que “não vai aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”.

Com 99,99% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos e foi reeleito para o seu quarto mandato. Flávio registrou 48,21%.

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