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Política

Candidatos à Presidência negam, mas devem apoiar Flávio no segundo turno

Renan Santos e Augusto Cury dizem que não apoiarão nem Lula nem o senador em eventual segundo turno

Misael Mainetti

candidatos à presidência
Candidatos à Presidência Reprodução/Instagram

Aliados de Romeu Zema (Novo) afirmam que, em um eventual segundo turno da eleição presidencial, a prioridade do candidato será derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação foi feita ao serem questionados sobre a possibilidade de Zema apoiar Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador avance para a etapa decisiva da disputa.

A posição está em linha com declarações recentes do próprio Zema. Na última sexta-feira (18), o candidato afirmou que apoiará quem estiver contra o PT caso não consiga chegar ao segundo turno.

O posicionamento contrasta com o tom adotado por Zema em outros momentos da campanha. Em maio, após as revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Zema endureceu as críticas ao senador. Na ocasião, classificou a conduta do adversário como “imperdoável” e chegou a dizer que votar em Flávio poderia significar entregar a eleição a Lula.

Mesmo naquele período, porém, Zema já sinalizava que as divergências não impediriam uma composição contra o PT em um segundo turno. Dias depois das críticas, afirmou que trabalharia para derrotar Lula até o fim da eleição e admitiu apoiar Flávio caso o senador fosse o nome da direita na disputa final.

Desde então, as críticas diretas de Zema a Flávio perderam espaço, enquanto o discurso contra Lula e o PT ganhou centralidade. A mudança ocorre também em meio ao avanço do senador do PL nas pesquisas e à disputa pelo chamado voto útil entre os candidatos de direita.

Caiado sobre apoio

Ronaldo Caiado (PSD), por outro lado, evita dizer quem apoiaria em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio. O candidato sustenta que será ele o adversário do petista na etapa final e tem direcionado críticas aos dois principais nomes da disputa.

No debate do Flow, nesta segunda-feira (21), Caiado afirmou que Lula e Flávio “têm lado no Supremo” e citou episódios envolvendo os dois ao defender sua própria candidatura como alternativa.
A postura também representa uma mudança em relação a declarações anteriores. Em maio, Caiado havia defendido que o candidato da centro-direita que avançasse ao segundo turno deveria receber o apoio dos demais para derrotar o PT.

Cury retira apoiar Flávio

Augusto Cury (Avante) também mudou de posição durante a campanha. No início de setembro, ele descartava apoiar Lula, mas ainda deixava aberta a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro, desde que o senador apresentasse explicações sobre o projeto Dark Horse e assumisse compromissos com propostas defendidas por Cury.
Nos últimos dias, porém, o candidato fechou essa porta. Antes do debate do Flow, Cury afirmou que não apoiaria nem Lula nem Flávio em um eventual segundo turno.

Renan Santos deve ser o único a não apoiar Flávio Bolsonaro
Renan Santos (Missão), por sua vez, afirma que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno entre os dois. O candidato também rejeitou uma aproximação com o grupo de Flávio e disse ter sido procurado por pessoas ligadas à campanha do senador, mas que as conversas não avançaram.

As movimentações ganham importância diante do cenário apertado entre Lula e Flávio. Levantamento do Datafolha divulgado nesta quarta-feira (23) mostra que, entre os eleitores que hoje declaram voto em Zema, Caiado, Cury e Renan Santos (Missão), 43% dizem que votariam em Flávio em um segundo turno contra Lula, enquanto 30% escolheriam o petista e 26% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois.

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