‘Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para aproximar o Banco Central do governo’, afirma Campos Neto
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que fará o que estiver ao seu alcance para aproximar a instituição do governo. A afirmação foi feita na noite desta segunda-feira, 13, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. “O BC é uma instituição de Estado, precisa trabalhar com o governo sempre. Estamos sempre abertos a colaborar. Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para aproximar o Banco Central do governo”, frisou. A declaração acontece em um momento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz uma série de críticas à manutenção da taxa de juros pelo BC em 13,75%. Além disso, o petista critica a autonomia do órgão. Ao ser questionado sobre a relação que tinha com ex-ministros e ex-integrantes do governo Bolsonaro, Campos Neto enfatizou a importância de diferenciar proximidade com independência de atuação. “Acho que é importante analisar o que foi feito em termos de atuação”, comentou. Ele citou a maior subida da taxa de juros em um ano eleitoral da história do Brasil, duas vezes maior que a ocorrida em 2001, para reforçar sua independência no cargo. A Selic iniciou o ano em 2% e, em cinco meses, saltou dez pontos percentuais no último ano. “Se o Banco Central tivesse leniente, se quisesse participar politicamente, não teria subido o juro, teria até feito até uma política para estourar a inflação, mas foi uma coisa que não fez”. Campos Neto, que está na presidência da instituição desde 2019, após indicação do então presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda acrescentou que todo começo de governo é seguido de crescimento na taxa de juros. De acordo com ele, o BC manteve a Selic no mesmo patamar após a primeira reunião do governo petista. “Outra coisa que é importante, a gente tem alertado em todas as atas, o problema fiscal que existe. E era muito comum no passado, quando a gente alertava, em todas as PECs, começou na emergencial, na kamikaze, na PEC dos Precatórios, cada vez que o Banco Central alertava, olha, tem alguma coisa fiscalmente que está gerando ruído, tem uma coisa que viola o teto. Toda vez que o Banco Central fazia isso, o ministro Paulo Guedes, reclamava. A gente vê que isso é um processo”, completou.
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