Lula muda discurso, diz ser ‘pessoalmente’ contra o aborto e pede ‘conversas civilizadas’ com deputados
O ex-presidente Lula tentou amenizar nesta quinta, 7, duas declarações desta semana, uma sobre a descriminalização do aborto no Brasil e outra na qual pedia que os militantes do PT pressionassem os deputados eleitos em suas casas. Ambas causaram polêmica e foram criticadas por apoiadores do atual governo, de Jair Bolsonaro (PL). Sobre o aborto, Lula disse ser pessoalmente contra, mas que é necessário que o Estado cuide das mulheres que passam pelo procedimento. “A única coisa que eu deixei de falar na fala que eu disse é que eu sou contra o aborto. Tenho cinco filhos, oito netos e uma bisneta. Eu sou contra o aborto. O que eu disse é que é preciso transformar essa questão do aborto em saúde pública. Que as pessoas pobres que forem vítimas de um aborto têm que ter condições de se tratar na rede pública de saúde. É uma questão de bom senso. Por mais que a lei proíba e a religião não concorde, ele existe, a partir do momento em que a pessoa esteja no processo de aborto, o Estado tem que amparar essa pessoa” declarou Lula nesta quinta, em entrevista à rádio Jangadeiro Bandnews, de Fortaleza.
O pré-candidato do PT à eleição presidencial de 2022 ainda disse que pediu que houvesse uma “conversa civilizada” entre manifestantes petistas e os deputados que se elegerem. Após o comentário sobre pressionar os adversários políticos em suas residências, parlamentares como Carla Zambelli (PL-SP), Otoni de Paula (MDB-RJ) e Junio Amaral (PL-MG) disseram que receberiam os manifestantes com armas e balas. “Ao invés de gastar uma fortuna indo para Brasília fazer protesto, todo deputado mora numa cidade. Então não custa nada o povo que está reivindicando, ir na porta da casa deles conversar de forma civilizada. Esse deputado que, durante as eleições, fala que adora o povo, anda de carro aberto. Ora, por que depois de eleito, o povo passa a ser estorvo?”, questionou Lula. Em outro momento da entrevista, o ex-presidente também disse não acreditar que uma ‘terceira via’ decole e venha a evitar o embate entre ele e Bolsonaro no segundo turno da eleição.
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