Maia sobe o tom e faz duras críticas a Paulo Guedes: ‘Ele não é sério’
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, passa informações falsas sobre a crise dos estados e municípios frente à pandemia do novo coronavírus. Em entrevista à revista Veja, Maia subiu o tom e fez críticas incisivas a Guedes. “Ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas”, chegou a dizer.
Na entrevista à revista, o deputado afirmou que o presidente Jair Bolsonaro minimiza o problema do coronavírus e que o “diagnóstico errado” da situação criou os problemas agora enfrentados por ele. “Todos os conflitos partem de uma divergência dele com a maioria da sociedade brasileira. É uma coisa estranha porque parece que o Bolsonaro sai da posição de presidente e fica sendo o comentarista e crítico, como se não tivesse responsabilidade sobre determinada decisão ministerial”, criticou.
Sobre Paulo Guedes, Maia disse não manter mais conversas com o ministro. Segundo declarou, Guedes também minimizou a crise e passou informações falsas à sociedade sobre os efeitos da crise nos estados e municípios em decorrência do coronavírus. Foi neste momento da entrevista que o presidente da Câmara afirmou que o ministro “não é sério”.
“Toda vez que você diverge, como ocorreu em relação ao Ministério da Economia, o governo parte para o ataque. Em vez de fazerem um debate transparente e sério, o ministro (Paulo Guedes) e sua equipe passam informações falsas à sociedade em relação ao que deve ser a crise de estados e municípios nos próximos meses. Da forma como Guedes faz, a impressão que dá é que ele quer impor a posição dele — e, numa democracia, isso não existe”, afirmou Maia.
“Tínhamos uma proposta de como ajudar estados e municípios, fomos convencidos de que parte dela estava equivocada, mudamos o texto e aprovamos uma versão muito equilibrada. Chegou a ponto de ele dizer que o impacto do projeto pode ser de R$ 285 bilhões. Sabe o que significa? Queda de 100% na arrecadação do ICMS e do ISS. Se ele acha que pode ser isso, o que não será nunca, está dizendo que a crise é muito mais grave do que estamos imaginando. Ou seja: ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas”, acrescentou.
Maia ainda disse que Bolsonaro politiza a crise ao convocar manifestações contra governadores e outros políticos, acusou o presidente de ter as eleições como um objetivo permanente e disse que a rixa com os governadores é reflexo do pensamento em 2022.
“O presidente minimiza o problema, o que pode ter consequências enormes num país continental como o Brasil. Outro dia, ele disse numa live que teríamos menos mortes com o novo coronavírus do que com a H1N1, o que, em poucas semanas, foi desmentido pelos dados oficiais. O presidente segue a linha daqueles que, em outros países, entenderam que o custo do não isolamento era menor que o custo do isolamento. A diferença é que a maioria dos governantes que seguiram esse caminho já recuou. A postura de Bolsonaro de minimizar a pandemia levou a equipe econômica a demorar muito tempo para se convencer de que o impacto seria grande. Essa postura também provoca conflitos”, afirmou.
Por fim, Maia se posicionou contrário ao adiamento das eleições, justificando que a medida poderia abrir uma brecha para perpetuação de mandatos no futuro e afirmou que há espaço para avançar com a reforma tributária a partir da segunda quinzena de maio, a depender do desenvolvimento da pandemia.
Tensão entre Maia e Bolsonaro
Rodrigo Maia vem sendo alvo de constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados. Na última quinta-feira (16), por exemplo, Bolsonaro classificou a atuação de Maia como “péssima”, afirmou que o deputado não parece querer “amenizar os problemas” da crise do coronavírus e sugeriu que a intenção do parlamentar é tirá-lo do governo.
O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) foi outro a criticar o presidente da Câmara. Chamando-o de “Botafogo”, Carlos disse que Maia “ataca diariamente o presidente nas entrelinhas” e que, quando recebe críticas, “incorpora a Madre Tereza”.
Em resposta, Maia afirmou que os ataques de Bolsonaro são uma tentativa do presidente de desviar o foco da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. “Quando se tem uma notícia ruim como a demissão do Mandetta, ele quer mudar o tema da pauta”, disse Maia, que cobrou respeito e equilíbrio ao dizer que o Parlamento vai “jogar flores” em resposta às “pedras” atiradas por Bolsonaro contra ele.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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