Há 20 anos, o Brasil perdia o técnico Telê Santana, o “fio de esperança”
Telê Santana (1931-2006) faz parte da memória dos apaixonados pelo futebol bem jogado. O treinador comandou a inesquecível seleção de 1982 que, apesar de encantar o mundo, não conquistou a Copa, na Espanha. Nascido em Itabirito, Minas Gerais, em 26 de julho de 1931, ele morreu em um dia de Tiradentes, como hoje, há exatos vinte anos.
Como jogador, Telê marcou época no Fluminense e como treinador passou pelos principais clubes brasileiros, com destaque para as conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo São Paulo, em 1992 e 1993. Também teve passagens marcantes pelo Atlético-MG, campeão nacional em 1971, e pelo Palmeiras.
Pela seleção, a equipe de 1982 encantou o mundo. Mesmo depois da derrota para a Itália, no Estádio Sarriá, o treinador foi aplaudido pela imprensa antes da entrevista coletiva que daria sobre a partida. O técnico ainda esteve na Copa de 1986, no México.
Um livro obrigatório para quem quer conhecer melhor a vida de Telê Santana é “Fio de Esperança” (Gryphus 2000), do jornalista André Ribeiro. A biografia de fôlego tem mais de quatrocentas páginas e o nome da obra é uma referência ao apelido dos tempos do jogador. Mesmo magro, ele era ligeiro e marcava gols decisivos. Por isso, “fio de esperança”.
Na contracapa do livro, André Ribeiro destaca o sonho do treinador, no começo dos anos 2000: “Telê cantarolou o hino com os olhos vermelhos, como quem está prestes a chorar. Homem durão, jamais chorou em público, nem mesmo quando perdeu duas Copas do Mundo. Como já havia afirmado que não costumava chorar pelas coisas boas da vida, Telê preferia lembrar o trecho do hino que faz referência ao ‘direito de viver’. É essa única exigência que faz da vida. A esperança de voltar a dirigir um time de futebol é o que faz continuar a driblar os dramas de saúde por que passou, mesmo sabendo que essa hipótese é praticamente impossível de acontecer”.
Telê era um obcecado pelos fundamentos do futebol. Obrigava os comandados dele a treinar jogadas à exaustão, como cruzamentos, passes, cabeceios, cobranças de falta e de pênalti. Ele costumava dizer: “prefiro perder uma partida jogando bem, a ganhá-la jogando mal”.
A ausência dele no futebol nacional jamais foi preenchida.
continue lendo
Thiago Uberreich
Há 52 anos, o lateral esquerdo Everaldo foi o primeiro tricampeão a falecer
O jogador, que marcou época no Grêmio, era discreto e disciplinado taticamente
- Mário Filho usou as páginas do Jornal dos Sports para defender a construção do Maracanã Thiago Uberreich · há 2 dias
- Nos anos 70, Paulo Machado de Carvalho relembrou o início da Rádio Record em entrevista à emissora Thiago Uberreich · há 3 dias
- Jogo decisivo da Libertadores de 1968 entre Palmeiras e Estudiantes teve ampla cobertura do rádio Thiago Uberreich · há 6 dias
- Em entrevista para a Revista Realidade, em 1966, Paulo Machado de Carvalho relembrou detalhes dos títulos de 1958 e 1962 Thiago Uberreich · há 7 dias