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El Niño provocará até 451 mil mortes associadas ao calor; estima-se 13,3 mil no Brasil

Estudo da Climate Impact Lab indica que o maior impacto do fenômeno climático será em países em desenvolvimento

AFP

CALOR-TEMPERATURA-CLIMA
O Brasil ocupa a quinta posição da estimativa de mortes relacionadas ao calor RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O fenômeno meteorológico El Niño pode provocar 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo até fevereiro, devido ao aumento das temperaturas globais, segundo projeções científicas publicadas nesta quarta-feira (23).

Esse fenômeno natural, declarado em junho e cujo pico é esperado para o fim do ano, caminha para se tornar o mais intenso já registrado, ampliando os efeitos das mudanças climáticas causadas pela atividade humana.

Ao aquecer as águas superficiais dos mares do planeta, o El Niño altera os padrões meteorológicos e os ventos sobre o Pacífico, com efeitos em cadeia sobre as chuvas e as temperaturas em escala mundial.

Segundo estimativas do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, os países em desenvolvimento podem ser os mais afetados pela mortalidade associada ao calor provocado pelo fenômeno entre junho e fevereiro.

De acordo com os cálculos, que ainda não foram revisados por outros especialistas, mas serão publicados em breve em uma revista científica, a região africana do Sahel pode registrar 66.800 mortes adicionais por calor em comparação com um ano normal. Quase metade delas ocorreria na Nigéria.

A Indonésia pode registrar 19.300 mortes adicionais, enquanto o balanço chegaria a 19.400 no conjunto formado por Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, 15.800 na Índia e 13.300 no Brasil.

Para chegar a esses números, o Climate Impact Lab se baseou em pesquisas sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade em 24.378 regiões, levando em consideração o clima local e a vulnerabilidade de cada área.

Em seguida, o grupo cruzou esses resultados com previsões de temperatura de longo prazo para estimar o número de mortes adicionais atribuíveis ao El Niño em comparação com a média do período de 1996 a 2025.

Em 22 de setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia alertado para a “ameaça significativa” representada pelas diversas possíveis consequências do El Niño para a saúde.

Além do calor, que pode agravar determinadas doenças, o fenômeno pode piorar a qualidade do ar devido aos incêndios e favorecer a desnutrição e a cólera em consequência de secas e inundações.

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