ONU alerta para ‘consequências imprevisíveis’ de tensão no Oriente Médio
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta segunda-feira (6) para que “se impeça a escalada, exercite a máxima moderação, retome o diálogo e renove a cooperação internacional” diante da crescente tensão no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã de “consequências imprevisíveis”.
Na sequência do bombardeio americano no Iraque e à espera de uma represália iraniana, Guterres disse que não se deve esquecer que “pessoas comuns” pagarão os “terríveis custos” e o preço mais alto da guerra: “É nosso dever comum impedir isto”, comentou.
Milhares de iranianos lotaram as ruas do centro de Teerã nesta segunda para clamar por vingança contra os Estados Unidos pelo bombardeio em Bagdá que matou o general Qasem Soleimani, comandante da divisão de elite da Guarda Revolucionária do Irã e que se tornou um mártir no país.
“Nem sequer a não proliferação nuclear pode ser dada como certa”, refletiu Guterres, acrescentando que está em contato constante com líderes mundiais e que essas tensões levam cada vez mais países a tomarem “decisões imprevisíveis, com consequências imprevisíveis e um profundo risco de cálculos errados”.
Para o diplomata português, que tem acompanhado a evolução da crise entre Irã e EUA – países que não mencionou expressamente – “com crescente preocupação”, o novo ano começou com o mundo em “agitação”.
Guterres também destacou que estes são “tempos perigosos, com tensões geopolíticas no mais alto nível em todo o século, com distúrbios em uma escala constante”.
Segundo o chefe da ONU, a situação é agravada pela forma como os conflitos comerciais e tecnológicos afetam os mercados globais, minando o crescimento e aumentando a desigualdade. “Enquanto isso, nosso planeta está em chamas e a crise climática está aumentando”, disse o secretário-geral da ONU ao se referir aos incêndios na Austrália.
Guterres argumentou que em muitas partes do mundo é possível ver pessoas “frustradas e irritadas” em meio a uma crescente agitação social, uma radicalização crescente acompanhada de extremismo e nacionalismo, assim como um avanço do terrorismo, especialmente na África.
Nesta segunda, França, Reino Unido e Alemanha pediram para o Irã “voltar em plena conformidade aos compromissos” com o acordo nuclear de 2015. No domingo passado, o Irã anunciou que deixará de cumprir as limitações impostas ao programa nuclear do país.
*Com informações da EFE
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