‘São pessoas muito desonrosas’: Trump acusa Irã de mentir sobre acordo de paz
O presidente americano, Donald Trump, acusou o Irã nesta sexta-feira (12) de mentir sobre o conteúdo do texto que está sendo debatido com os Estados Unidos, e a Casa Branca apressou-se em apresentar sua versão dos pontos do acordo com Teerã para pôr fim à guerra.
“Isto é o que eles aceitaram”, indicou à AFP um funcionário de alto escalão, que expôs cinco pontos: “o material nuclear (iraniano) será destruído e retirado”, “o programa nuclear será desmontado“, “seus fundos não serão liberados até que cumpram os termos”, “o Estreito de Ormuz permanecerá aberto” e “não haverá financiamento de grupos terroristas por parte do Irã”.
Essa lista surge depois que veículos de imprensa iranianos divulgaram um projeto de acordo com os Estados Unidos, que o presidente americano contestou.
Trump advertiu o Irã que “é bom eles tomarem jeito” e assegurou que a suposta versão do plano de paz divulgada por Teerã “não tem relação com a verdade“.
“Os termos que o Irã vazou (…) NÃO TÊM NADA a ver com os termos que foram acordados por escrito“, assegurou o presidente em sua rede Truth Social. “São pessoas muito desonrosas com quem negociar”, acusou.
Pontos divulgados pelo Irã
A agência oficial de notícias iraniana Irna afirmou que Teerã não abriria mão do controle do Estreito de Ormuz nos termos de um projeto de acordo-quadro com Washington para pôr fim à guerra, e que manterá seu direito ao enriquecimento nuclear.
A agência de notícias iraniana Mehr, citando uma fonte próxima à equipe de negociação de Teerã, publicou o que apresentou como o texto discutido.
O documento prevê um “cessar-fogo permanente e imediato das hostilidades (…) inclusive no Líbano”, “60 dias de negociações para alcançar um acordo sobre as questões nucleares e o levantamento completo das sanções” americanas.
Segundo Teerã, o projeto inclui a “liberação de 24 bilhões de dólares (123 bilhões de reais) de fundos iranianos bloqueados durante o período final de negociação de 60 dias”.
O projeto, ainda de acordo com as fontes iranianas, ressalta a necessidade de que os Estados Unidos e seus aliados paguem ao Irã reparações pelos danos sofridos durante a guerra e “apresentem planos de reconstrução (…) de pelo menos 300 bilhões de dólares (1,54 trilhão de reais)”.
“As negociações finais não começarão antes da liberação da metade dos fundos iranianos bloqueados, da suspensão das sanções contra o petróleo iraniano e do levantamento do bloqueio naval”, acrescentou.
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Eliseu Caetano
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