Negacionismo da pandemia foi determinante para fim da chapa BolsoDoria; relembre

Aliados em 2018, presidente da República e governador de São Paulo tomaram caminhos diferentes durante o enfrentamento à Covid-19

  • Por Camila Corsini
  • 02/01/2021 16h00 - Atualizado em 02/01/2021 19h14
Marcos Corrêa/PREnquanto Bolsonaro adotou uma postura negacionista e de exaltação à hidroxicloroquina, João Doria acendeu o sinal de alerta

Uma das maiores lembranças políticas das eleições de 2018, a chapa BolsoDoria certamente foi determinante para eleger tanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, quanto o governador do Estado de São Paulo, João Doria. O ano de 2020, no entanto, serviu para colocar um ponto final na relação que já estava conturbada desde 2019. O principal ponto de embate foi a pandemia da Covid-19 e o modo como cada um resolveu lidar com o vírus. Enquanto Bolsonaro adotou uma postura negacionista e de exaltação à hidroxicloroquina, chegando a alegar que o coronavírus era “fantasia” e “histeria” poucos dias após o primeiro caso confirmado no Brasil, Doria acendeu o sinal de alerta.

No dia 16 de março, o governo de São Paulo anunciou a suspensão das aulas nas escolas estaduais e municipais e, dois dias depois, já determinou o fechamento de shoppings e academias. Desde então, a postura do chefe do Executivo nacional ficou cada vez mais agressiva – um dos últimos comentários do presidente sobre o tucano de São Paulo foi relacionado aos dias de férias que Doria iria tirar em Miami. “Coisa de calcinha apertada”, declarou Bolsonaro durante live na véspera de Natal, fazendo alusão jocosa ao comprimento das roupas do rival. Doria, no entanto, cancelou as férias após o vice, Rodrigo Garcia, testar positivo para Covid-19.

24 de março – “Gripezinha e histórico de atleta”

Em seu terceiro pronunciamento nacional em menos de 20 dias, diante do avanço da pandemia da Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro falou uma de suas frases mais emblemáticas e que seria lembrada ao longo de todo o ano: “Eu, caso fosse contaminado, pelo meu histórico de atleta, não precisaria me preocupar. Nada sentiria, seria acometido por uma ‘gripezinha’ ou ‘resfriadinho’”. Dois dias antes, o governador de São Paulo, João Doria, havia decretado quarentena em todo o Estado e adotado medidas na tentativa de conter o vírus – que na época já tinha acometido 2.201 brasileiros e deixado 46 mortos. Além disso, o tucano cobrou o presidente: “Chama de gripezinha e eu que sou lunático. Lidere seu país”.

12 de abril – “Parece que o vírus começou a ir embora”

Em uma videoconferência ecumênica em celebração da Páscoa, o presidente Bolsonaro destacou sua preocupação com a economia. “Veio agora esse vírus. É o que tenho dito desde o começo, há 40 dias. Temos dois problemas pela frente: o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus. Mas está chegando e batendo forte o desemprego.” Poucos dias antes, em São Paulo, era inaugurado os primeiros hospitais de Campanha, no Pacaembu e no Anhembi. O Brasil tinha 22.169 casos confirmados da Covid-19 e 1.223 óbitos pela doença.

20 de abril – “Não sou coveiro”

Ao ser questionado por jornalistas na portaria do Palácio da Alvorada sobre os 40.581 casos confirmados de Covid-19 e 2.575 mortos, Jair Bolsonaro fez questão de ressaltar que sua profissão não tinha nada a ver com a pandemia. “Eu não sou coveiro, tá certo? Não sou coveiro, tá?” No mesmo dia, pela manhã, ele afirmou que não existiriam motivos para ter medo do coronavírus. “Aproximadamente 70% da população vai ser infectada. Não adianta querer correr disso. É uma verdade. Estão com medo da verdade? Levaram o pavor para o público, histeria. E não é verdade. Estamos vendo que não é verdade. Lamentamos as mortes e é a vida. Vai morrer.” A declaração foi dada quatro dias depois da demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. No mesmo dia, ele anunciou o oncologista Nelson Teich como substituto na pasta. Hoje Mandetta está próximo a Doria.

28 de abril – “E daí? Sou Messias, mas não faço milagre”

Quando Jair Bolsonaro foi informado de que o Brasil já tinha ultrapassado a China no número de mortos pela pandemia, ele respondeu a jornalistas: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”. E completou dizendo que nunca negou que pessoas iriam morrer. “É o que eu digo para vocês: o vírus vai atingir 70% da população. Infelizmente é a realidade. Mortes vão haver. Ninguém nunca negou que haveria mortes.” No mesmo dia, chamou o governador de São Paulo de “gravatinha” e acusou o rival de fazer “politicalha em cima dos mortos”. O Brasil tinha 71.886 casos confirmados de Covid-19 e 5.017 óbitos.

13 de maio – “Quem não quiser trabalhar, que fique em casa”

Em uma entrevista coletiva, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de contenção da doença. “O povo tem que voltar a trabalhar. E quem não quiser trabalhar, que fique em casa. Ponto final.” Naquele momento, ele já atacava João Doria por São Paulo estar sob medidas mais rígidas da quarentena. “O governador de São Paulo falou que é melhor o isolamento do que o sepultamento. Quem ficar em casa parado vai morrer de fome. Não podemos ficar hibernando em casa. Fico me colocando no lugar das pessoas humildes. Vai chegar a um ponto em que esse povo com fome vai vir às ruas. O homem que está passando fome perde a razão. Vamos esperar chegar a esse ponto pra reagir? O povo tem que voltar a trabalhar.” Naquele dia, o Brasil registrou 178,2 mil casos e 12.461 mortes pela doença.

20 de maio – “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína”

Defendendo ferozmente o uso da cloroquina contra a Covid-19, medicamento sem eficácia comprovada, o presidente Jair Bolsonaro deu a entender que a decisão de tomar ou não o remédio deveria ser política. “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína. O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina, agora, quem quiser tomar que tome.” As declarações aconteceram no dia em que o Brasil atingiu 293.357 casos confirmados de coronavírus e 18.894 mortes. Bolsonaro disse essa frase cinco dias após o ministro da Saúde, Nelson Teich, que tinha assumido a pasta havia um mês, pedir demissão. Foi neste momento que o general Eduardo Pazuello assumiu o ministério interinamente – apenas em 16 de setembro ele foi confirmado como titular. Já João Doria ressaltava que “de jeito nenhum” usaria cloroquina. “Só tomo aquilo que os médicos recomendaram”, provocou.

2 de junho – “É o destino de todo mundo”

Bolsonaro voltou a falar outras vezes que todo mundo pegaria a doença – nessa ocasião, quando foi questionado sobre o que falaria aos enlutados pelos mais de 31.309 mortos. No dia 2 de junho, o país já tinha 558.237 casos do novo coronavírus. Enquanto isso, São Paulo já tinha inaugurado mais dois hospitais de campanha: no Ibirapuera e no Heliópolis. O governo estadual também anunciou que o braço direito do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, João Gabbardo dos Reis, seria o secretário-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo “Eu lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo. Ninguém faleceu, pelo que eu tenho conhecimento, pode ser que eu esteja equivocado, por falta de UTI ou respirador. Então o vírus é uma coisa que vai pegar em todo mundo. Não precisava ter grande parte da imprensa criando esse estado de pânico junto à população”, declarou o presidente.

11 de junho – “Invadam hospitais”

Em uma de suas lives semanais, o presidente Jair Bolsonaro estimulou os espectadores a invadirem hospitais de campanha e outras unidades públicas para mostrar “se os leitos estavam ocupados ou não”. O pedido foi feito após ele colocar em xeque a quantidade de casos e mortos pela pandemia no Brasil, que naquele dia somava 805.649 casos e 41.058 mortos. “Se tem hospital de campanha perto de você, hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente está fazendo isso e mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não. Se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, disse. Naquele mesmo dia, o Estado de São Paulo anunciou uma parceria do Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac para testes, aquisição e produção da vacina CoronaVac.

22 de junho – “Talvez tenha havido um pouco de exagero”

Durante o ano, também não faltaram críticas à Organização Mundial da Saúde (OMS). O presidente Jair Bolsonaro falou em equívocos no tratamento da doença por parte da entidade. Mais uma vez, ele criticou os governadores que defenderam o isolamento social mesmo diante de 1.090.349 de casos e 50.737 óbitos pela Covid-19. “A gente apela aqui aos senhores governadores e prefeitos que, obviamente, com responsabilidade, comecem a abrir o comércio. Porque novas informações vêm do mundo todo, vêm da OMS, por meio dos seus equívocos, que talvez tenha havido um pouco de exagero no trato dessa questão lá atrás.”

31 de julho – “Tem medo do quê? Enfrenta”

Logo depois de se recuperar da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro esteve na cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul. Mesmo após enfrentar a doença e tomar cloroquina, que não tem eficácia comprovada, ele continuou minimizando a pandemia. “Eu estou no grupo de risco. Agora, eu nunca negligenciei. Eu sabia que um dia ia pegar. Infelizmente, acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Tem medo do quê? Enfrenta! Lamento as mortes. Morre gente todos os dias de uma série de causas”, disse. Era um claro recado contra as medidas restritivas de João Doria e de outros governadores. Nesta data, o Brasil tinha 2.662.485 casos confirmados da Covid-19 e 92.475 mortes pela doença.

Cena clássica de 2020 em que Jair Bolsonaro mostra caixa de cloroquina a ema no Palácio do Alvorada

24 de agosto – “Jornalista ‘bundão” tem chance menor de sobreviver”

O ano do presidente Jair Bolsonaro também foi marcado por ataques à imprensa. De acordo com ele, jornalistas eram os responsáveis por aterrorizar a população diante da pandemia. Em um dos ataques, Bolsonaro disse que “jornalista bundão tem menos chances de sobreviver” à Covid-19, enquanto lembrava sua carreira militar. “Era um jovem aspirante do Exército Brasileiro, tinha 23 anos, sempre fui atleta das Forças Armadas. Aquela história de atleta, né, que o pessoal da imprensa vai para o deboche. Mas quando pega em um bundão de vocês, a chance de sobreviver é bem menor.” Do Palácio dos Bandeirantes, Doria repudiou o rival. “Como filho de um deputado cassado pela ditadura, tenho a obrigação de dizer que nem o senhor nem ninguém vai afrontar a democracia do Brasil, vai amedrontar e emparedar jornalistas e veículos de comunicação sérios do nosso país.” No dia 24 de agosto, o Brasil tinha 115.451 mortos pelo coronavírus e 3.627.217 infectados.

31 de agosto – “Ninguém é obrigado a tomar vacina”

Quando os primeiros estudos sobre potenciais vacinas contra a Covid-19 pelo mundo começaram a surgir, o presidente Jair Bolsonaro se manteve negando a gravidade e, questionado por uma seguidora, chegou a dizer que ninguém era obrigado a se vacinar. Porém, a Lei 13.979, sancionada pelo próprio Bolsonaro em fevereiro, estabelece um artigo que determina a realização compulsória de vacina e outras medidas profiláticas em razão da doença. O mesmo artigo prevê também a realização de isolamento e quarentena – não apoiados pelo presidente desde o início da pandemia. A vacinação, vale lembrar, já havia se tornado uma das bandeiras de João Doria. Naquele dia, o país contabilizava 121.515 óbitos e 3.910.901 casos confirmados.

22 de setembro – “O governo estimulou o tratamento precoce da doença”

Em seu discurso na ONU, no dia 22 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que, desde o princípio, alertou o país que tinham dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego – e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade. Entretanto, ele falou também no “tratamento precoce da doença”, exaltando novamente medicamentos sem eficácia comprovada. Bolsonaro ainda contou que destinou “US$ 100 bilhões para ações de saúde e socorro a pequenas e microempresas”, mas o valor na verdade foi abaixo – cerca de US$ 36 bilhões. Ao mesmo tempo, em São Paulo, o governador João Doria tinha acabado de anunciar a retomada das aulas no estado – que aconteceria de forma gradual em outubro. No início de setembro, algumas atividades de reforço já eram ministradas nos locais de ensino. No fim de setembro, o Brasil tinha 4.595.335 casos de coronavírus e 138.159 óbitos.

1º de outubro – “Deus foi abençoado e nos deu a cloroquina”

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina como tratamento para a Covid-19 e o não cumprimento das regras de distanciamento social – mesmo diante de 4.849.229 casos da doença e 144.767 mortos. “O nosso governo tudo fará para todos no Brasil, não esqueceremos os mais humildes. Alguns políticos fecharam tudo durante a pandemia, sempre falei: Não tem que fechar nada! Não tem que prender ninguém dentro de casa. Temos que zelar os mais idosos, mais passiveis de adquirir o vírus e de ter problema mais graves. Fora isso, tínhamos que trabalhar. E mais ainda: Deus ainda foi tão abençoado que nos deu até a hidroxicloroquina. E quem não acreditou, engula agora!”

21 de outubro – “Brasil não vai ser cobaia”

Conforme os estudos com a CoronaVac avançavam em todo o Brasil sob comando do Instituto Butantan, foi instaurado um debate sobre a obrigatoriedade ou não da vacinação contra a Covid-19 assim que um imunizante fosse disponibilizado. De um lado, João Doria defendeu que não se vacinar colocaria em risco toda a população – então deixaria de ser uma escolha individual. Já Bolsonaro defendeu a liberdade de cada um escolher o que quer ou não fazer. Em seu Twitter, ele escreveu: “A VACINA CHINESA DE JOÃO DORIA. Para o meu Governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser COMPROVADA CIENTIFICAMENTE PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE e CERTIFICADA PELA ANVISA. O povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM”. Doria rebateu a provocação. “A vacina é que vai nos salvar. Não é ideologia, não é política, não é processo eleitoral, é a vacina.” Em outubro, o Brasil tinha 5.300.649 diagnósticos de Covid-19 155.459 mortos.

10 de novembro – “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”

No início de novembro, os estudos da CoronaVac foram paralisados pela Anvisa devido a um evento adverso grave. Dias depois, foi declarado que a paralisação aconteceu devido à morte de um dos voluntários – vítima de suicídio. O presidente Jair Bolsonaro comemorou, em resposta no seu Facebook, a pausa nos estudos do que chama de vacina chinesa. “Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha.” Com os números da pandemia ainda em queda, o país tinha naquele dia 5.701.283 positivos e 162.842 óbitos.

27 de novembro – “Não falei em gripezinha”

No fim de novembro, o presidente Jair Bolsonaro negou ter chamado a pandemia da Covid-19 de gripezinha – o que aconteceu duas vezes, uma delas em pronunciamento em rede nacional. “Falei lá atrás, no meu caso, falei, pelo meu passado de atleta, não generalizei, se pegasse o Covid não sentiria quase nada. É o que eu falei. O pessoal da grande mídia falando que eu chamei de ‘gripezinha’ a questão do Covid. Não existe um vídeo ou áudio meu falando dessa forma.” Em 20 de março, ele disse: “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não.” Em São Paulo, o governo estadual começava a propagandear que a vacinação começaria em janeiro. João Doria negava a chance de decretar lockdown em São Paulo. “Mas também repudiamos o populismo dos que defendem que nenhum tipo de restrição deva ser feito, levando à morte dos mais frágeis, mais idosos, mais vulneráveis”, alfinetou o tucano. Registrando uma nova alta nos casos, o Brasil já somava 6.238.076 casos confirmados e 171.998 óbitos.

10 de dezembro – “Está no finzinho”

Na terceira semana seguida de alta nos casos de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em um evento em Porto Alegre, que o Brasil estava vivendo o finzinho da pandemia mesmo com 6.783.543 casos confirmados e 179.801 mortos – e enquanto especialista já falavam em um segunda onda. “Me permitam falar um pouco do governo, que ainda estamos vivendo o finalzinho de pandemia. O nosso governo, levando-se em conta outros países do mundo, foi aquele que melhor se saiu, ou um dos que melhores se saíram na pandemia”, disse. Três dias antes, João Doria havia anunciado o Plano Estadual de Imunização para São Paulo, diante da recusa do governo federal em relação a CoronaVac. O governador prometeu o início da vacinação para 25 de janeiro.

16 de dezembro – “Pandemia nos afligiu desde o início”

No dia em que o Ministério da Saúde divulgou o Plano Nacional de Imunização (PNI), o presidente Jair Bolsonaro mudou o discurso e admitiu que a pandemia afligiu as pessoas desde o início, apesar da histeria. “Realmente, nos afligiu desde o início. Não sabíamos o que era esse vírus, como ainda não sabemos em grande parte. E nós todos, irmanados, estamos na iminência de apresentar uma alternativa concreta para nos livrarmos desse mal.” Uma surpresa em relação ao PNI foi a inclusão da CoronaVac – que o presidente já havia dito que não iria adquirir. Em São Paulo, João Doria bradava que o presidente é “negacionista” e que “menospreza o vírus”. O Brasil tinha 7.040.608 casos confirmados da Covid-19 e 183.735 óbitos pela doença.

24 de dezembro – “Parece que a eficácia dessa vacina de SP está lá embaixo”

No dia da véspera de Natal, o presidente Jair Bolsonaro criticou o governador de São Paulo, João Doria, pela viagem feita aos Estados Unidos no meio da pandemia, após o governo estadual endurecer mais as medidas durante os dias de festa. “Eu quero o cidadão de bem armado. O povo armado acaba com essa brincadeirinha de ‘vai ficar todo mundo em casa que eu vou passear em Miami’. Pelo amor de Deus, ô calcinha apertada! Isso não é coisa homem, pô.” Na mesma ocasião, Bolsonaro aproveitou para alfinetar a CoronaVac – que iria ter a eficácia divulgada no dia 23, mas o evento foi adiado. “Parece que eficácia dessa vacina aí de São Paulo está lá embaixo. Não vou divulgar percentual, mas parece que está lá embaixo”, completou. Sobre a viagem, Doria justificou que foi participar de duas conferências e retornou ao Estado de São Paulo depois de saber que o seu vice, Rodrigo Garcia, testou positivo para Covid-19. Perto de fechar o ano, o Brasil tinha 7.424.430 de casos confirmados da doença e 190.032 mortes.

Brasileiros isentam presidente, diz pesquisa

Mesmo diante das inúmeras frases negando a realidade sanitária que o Brasil enfrentou ao longo de todo o 2020, uma pesquisa do Datafolha divulgada em dezembro mostrou que 52% dos brasileiros isentam Bolsonaro da culpa por mortes pela Covid-19. Entretanto, quanto ao desempenho de Jair Bolsonaro na pandemia, a pesquisa aponta que 42% consideraram “ruim ou péssima”, 30% “ótima ou boa” e 27% “regular”. Para a maiorias dos brasileiros, o país não adotou as medidas necessárias para conter o número de mortes pela doença. Dos entrevistados, 53% responderam que o país não fez o necessário para evitar os óbitos, 22% acreditam que nada evitaria a alta dos falecimentos, 22% aprovam as atuações do governo frente ao tema e 4% não souberam responder.