Por que são necessárias duas doses da vacina contra a Covid-19?

Mais de 6 milhões de brasileiros estavam com o reforço em atraso até o começo de agosto; o que preocupa autoridades de Saúde, já que sem o esquema vacinal completo a imunização fica comprometida.

  • Por Lívia Zanolini
  • 13/08/2021 15h24 - Atualizado em 13/08/2021 16h28
FABRÍCIO COSTA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOO imunizante da Janssen é o único até então projetado para ser administrado em dose única; apesar disso, não está descartada a possibilidade de segunda dose para aumentar a proteção

Especialistas e autoridades da Saúde em todo o mundo alertam: é fundamental tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19 para completar a imunização. Em relação à variante Delta, por exemplo, estudos mostram que, sem a segunda dose, a eficácia dos imunizantes da Pfizer e de Oxford/AstraZeneca cai para cerca de 30%. Bem abaixo de 50%, que é o mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pela Anvisa como parâmetro de proteção. Lembrando que a eficácia de uma vacina é a capacidade que ela tem de evitar casos graves e mortes. Mas por que, no caso da maioria das vacinas contra o coronavírus, a imunização se completa só com as duas doses? Segundo pesquisadores, a primeira dose provoca um estímulo inicial ao desenvolvimento dos mecanismos imunológicos. Já a segunda consolida essa proteção, melhorando a resposta, tanto de anticorpos, como da imunidade celular.

O imunizante da Janssen, do grupo Johnson & Johnson, é o único até então projetado para ser administrado em dose única. Embora as pesquisas tenham comprovado que ele é eficaz sem o reforço, não está descartada a possibilidade de ampliação do esquema vacinal para aumentar a proteção. As discussões sobre a necessidade da dose extra, não só da Janssen, como também das demais vacinas anticovid, têm ganhado força com o avanço da variante Delta no mundo. No Brasil, a Anvisa já autorizou pesquisas envolvendo a aplicação da terceira dose da Pfizer e de Oxford/AstraZeneca. Em Israel, idosos já começaram a receber a dose extra da Pfizer. Enquanto não há estudos conclusivos, a recomendação dos órgãos de saúde é seguir à risca o esquema vacinal e não adiar a segunda dose.

A pediatra Mônica Levi, que é presidente da Comissão de Revisão de Calendários de Vacinação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que, ainda que o atraso não comprometa a eficácia, o controle da pandemia depende da rapidez com que a vacinação avança. “No momento, nossa meta é evitar mortes, é evitar internações. Então nós não estamos vacinando agora pensando na proteção de longo prazo. É preferível fazer logo as duas dentro do prazo agendado e ter que fazer uma terceira dose, um reforço [no futuro], do que a gente esticar e ficar com uma proteção baixa só da primeira dose por um período maior. Considera-se que uma pessoa que só tomou a primeira dose não está protegida. [Há] muitos casos de internação e de óbitos em pessoas que já haviam recebido a primeira dose”.

A médica também orienta que todos, até mesmo quem já completou o esquema vacinal, mantenham as medidas de prevenção. A imunização protege contra formas graves da doença, reduzindo a carga viral em uma eventual infecção, mas não elimina o risco de transmissão. Por isso, para reduzir ainda mais a circulação do vírus, é preciso se vacinar e continuar usando máscara, mantendo o distanciamento e reforçando a higienização. Tá Explicado?

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